Cidades brasileiras: merenda escolar segue no prato também nas férias

Conheça experiências de cidades como Sobral, Belo Horizonte e Paraty que oferecem merenda no período de férias e fortalecem a saúde das crianças.

Férias escolares não precisam significar mesa vazia. Diversas cidades brasileiras mostram que é possível manter o prato das crianças cheio mesmo quando a escola está em recesso. Neste post, o Clube da Saúde Infantil explica, em linguagem simples, como essas experiências funcionam e por que elas fazem diferença na saúde dos pequenos.

Por que a merenda some nas férias?

A merenda gratuita tem grande peso no orçamento de muitas famílias. Quando as aulas param, o gasto com comida aumenta e pode faltar arroz, feijão e carne no prato das crianças. Isso traz risco de desnutrição e até abandono escolar.

Cidades que encontraram a solução

Sobral (CE): refeição na escola mesmo sem aula

  • Programa “Férias de Aprender e Alimentar” abre 54 escolas de referência.
  • Três refeições por dia, transporte adaptado e merendeiras temporárias.
  • 92% das crianças vulneráveis frequentaram o serviço em julho de 2022.
  • 78% mantiveram ou ganharam peso.

Belo Horizonte (MG): cartão de R$ 200 por criança

  • Cartão-alimentação cobre 22 dias úteis de férias.
  • 67% do valor vai para alimentos in natura como carne, frutas e feijão.

Semiárido: kits secos + vale-feira

  • Cidades como Jucás (CE) e Picos (PI) entregam alimentos secos e vales para produtos frescos, ajudando também a agricultura familiar local.

Escola aberta vira ponto de encontro

Paraty (RJ): Escola Aberta de Verão

  • Almoço, leitura, música e esportes para 1 800 crianças.
  • Peso e altura das crianças ficaram estáveis no período crítico do verão.

Palmas (TO): cozinhas da comunidade

  • 20 escolas produzem 500 marmitas por dia.
  • Redução de 34% na insegurança alimentar grave nas casas atendidas.
  • Contas de luz pagas por empresas via incentivo fiscal.

Horta escolar: comer o que se planta

  • Belo Horizonte tem mais de 130 hortas pedagógicas.
  • Mutirão de férias colhe alface, couve e outros vegetais.
  • Consumo diário de verduras subiu 18% entre participantes.
  • Curitiba e Florianópolis usam estufas de hidroponia e colhem até no inverno.

O que aprendemos com essas experiências?

  1. Manter cozinhas abertas custa menos de 0,1% do orçamento municipal.
  2. Combinar refeição na escola e cartão-alimentação protege dentro e fora de casa (3)(4).
  3. Parceria com ONGs e empresas amplia o alcance sem pesar no caixa público.
  4. Hortas e oficinas trazem ganhos de saúde, aprendizado e convivência.

Perguntas frequentes

1. Minha cidade pode fazer igual?
Sim. As ações mostram que com planejamento e parcerias o custo é baixo e o retorno é alto.

2. O cartão-alimentação garante comida saudável?
Em BH, dois terços do valor foram usados em alimentos frescos, provando que as famílias fazem boas escolhas quando têm recurso.

3. Cozinhar na escola nas férias gasta muita água e luz?
O gasto extra existe, mas pode ser compensado com acordos de responsabilidade social, como em Palmas.

Conclusão

Quando a escola permanece viva nas férias, ela segue cuidando, ensinando e alimentando. Os exemplos de Sobral, Belo Horizonte, Paraty e outros lugares mostram que prato cheio e aprendizado andam juntos o ano todo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Prefeitura Municipal de Sobral. Relatório do Programa Férias de Aprender e Alimentar: avaliação 2022. Sobral; 2022.
  2. Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Cartão-Alimentação Escolar: balanço financeiro 2023. Belo Horizonte; 2023.
  3. Observatório da Segurança Alimentar e Nutricional. Impacto dos auxílios emergenciais na dieta de crianças de 6 a 14 anos. Brasília: OPASAN; 2023.
  4. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Boas práticas em alimentação escolar contínua. Brasília: FNDE; 2021.
  5. Instituto de Desenvolvimento Educacional de Paraty. Escola Aberta de Verão: relatório de impacto 2023. Paraty; 2023.
  6. Ação da Cidadania. Cozinhas solidárias nas férias escolares: resultados preliminares. Rio de Janeiro; 2022.
  7. Costa M, Almeida P. Hortas escolares e consumo de vegetais em Belo Horizonte. Revista Brasileira de Nutrição. 2022;75(4):512-522.
  8. Prefeitura Municipal de Curitiba. Programa Hortas Urbanas Educativas: relatório técnico. Curitiba; 2021.