Da merenda à mobilização: o poder das histórias que inspiram políticas

Descubra como histórias reais de famílias, escolas e municípios estão inspirando políticas públicas e tornando a alimentação infantil mais saudável em todo o país.

Você sabia que regras do governo e projetos no bairro podem mudar a forma como as crianças comem? Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como essas ações, junto com a família, formam um escudo contra a obesidade infantil. Vamos entender?

Por que falar de obesidade infantil

A obesidade na infância cresce rápido no Brasil. Ela traz risco de pressão alta e diabetes ainda cedo. Prevenir agora é mais fácil e barato do que tratar depois.

Como a lei protege a alimentação das crianças

Menos propaganda de ultraprocessados

A Resolução 163/2014 proíbe publicidade que use a ingenuidade de menores de 12 anos. Estudos mostram que, após assistir a comerciais de salgadinhos e refrigerantes, as crianças consomem até 30% mais calorias. Limitar esses anúncios ajuda a reduzir o apelo dos alimentos ultraprocessados.

Imposto sobre bebidas açucaradas

O México criou uma taxa de 10% sobre refrigerantes, e o consumo caiu quase 10% em dois anos. No Brasil, a Lei 13.986/2020 permite cobrança semelhante. Segundo o IPEA, essa medida pode reduzir em até 20% o ganho de peso anual entre 2 e 9 anos.

Guia alimentar para os pequenos

O Ministério da Saúde lançou um guia voltado exclusivamente para crianças de até dois anos, com receitas simples e a recomendação de não usar açúcar ou ultraprocessados nos primeiros anos de vida.

A força das ações na comunidade

Programa Saúde na Escola (PSE)

Quando escolas e postos de saúde trabalham juntos, a má alimentação diminui. Municípios que aplicaram o PSE de forma contínua viram queda de 9% nos casos de excesso de peso nas creches.

Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB)

Apoiar a amamentação faz diferença. Cidades que implementaram a EAAB por dois anos tiveram aumento de 17 pontos percentuais na taxa de aleitamento exclusivo aos seis meses. Amamentar pode reduzir o risco de obesidade infantil em até 13%.

Hortas que ensinam e alimentam

Em Belo Horizonte, crianças que cuidavam de hortas na escola passaram a consumir, em média, 1,5 porção extra de verduras por dia. Plantar, colher e cozinhar tornam-se aprendizados para a vida.

Investir cedo sai mais barato

Cada real investido em programas de alimentação saudável na primeira infância retorna de quatro a oito reais em economia futura. A obesidade precoce custa cerca de R$ 1,4 bilhão ao SUS todos os anos. Oficinas de culinária nas UBS e compras de produtos da agricultura familiar são exemplos de soluções baratas e eficazes.

O que você, família, pode fazer agora

  • Prefira água a refrigerante. Seu bolso e a saúde da criança agradecem.
  • Cozinhe junto: deixe a criança lavar ou picar verduras simples, como alface.
  • Aproveite programas públicos: pergunte na UBS sobre a EAAB ou oficinas de culinária.
  • Fique atento à propaganda: explique que personagens de desenhos não são “convites” para comer.

Conclusão

Quando leis, escolas, postos de saúde e famílias atuam juntas, o caminho fica mais fácil. Impostos, menos propaganda, hortas e apoio à amamentação formam uma rede de proteção.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. World Health Organization. Report of the Commission on Ending Childhood Obesity. Geneva: WHO, 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  3. CONANDA. Resolução n.º 163, de 13 de março de 2014. Brasília, 2014.
  4. Norman, J.; Kelly, B.; Boyland, E. McDonald’s, Disney and the devil: how food marketing drives preferences in preschoolers. Public Health Nutrition, 2020.
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  6. Brasil. Lei n.º 13.986, de 2020. Diário Oficial da União, 2020.
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  12. Brasil. Ministério da Saúde. Impacto econômico da obesidade no Sistema Único de Saúde. Brasília, 2022.
  13. IPEA. Investimentos em primeira infância: custo-benefício de ações intersetoriais. Brasília, 2021.