Merenda que muda vidas: fortalecendo corpo e aprendizado
Aprenda estratégias práticas para transformar a merenda em ferramenta de saúde, aprendizado e bem-estar infantil.

Você sabia que o lanche que seu filho recebe na escola pode ser a diferença entre fraqueza e energia para aprender? O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) serve comida para quase 40 milhões de alunos no Brasil. Neste texto, o Clube da Saúde Infantil mostra, em linguagem simples, como essa merenda combate a desnutrição e como professores podem virar verdadeiros guardiões da saúde. Vamos juntos?
O que é o PNAE?
O PNAE é um programa do governo criado em 1955 que garante merenda a todos os alunos da rede pública. Pense nele como uma grande cozinha que alimenta quase duas vezes a população de São Paulo todos os dias.
Resultados que fazem diferença
- Entre 2014 e 2022, escolas com cardápio feito por nutricionistas reduziram em 6% os casos de baixo peso.
- Onde o programa é bem seguido, mais frutas e verduras aparecem no prato e as crianças ganham peso saudável.
Desafios que ainda existem

1. Diferenças regionais
No Norte e no Nordeste, a falta de comida adequada ainda é quase duas vezes maior que a média do país. Muitas prefeituras gastam boa parte do dinheiro apenas levando a comida até escolas distantes.
2. Cardápio fora das regras
A lei manda comprar pelo menos 30% dos alimentos da agricultura familiar e controlar sal, açúcar e gordura. Porém, em 152 cidades de São Paulo, só 57% alcançaram essa meta, e 68% passaram do limite de sal.
3. Falta de estrutura local
- Cozinhas antigas.
- Treinamento insuficiente para merendeiras.
- Compras centralizadas que atrasam entregas.
Professor: olho clínico dentro da sala
O professor passa cerca de 4 a 5 horas por dia com cada aluno. Isso é tempo suficiente para notar se a criança:
- Come só arroz e ignora a carne.
- Pede repetição porque talvez não tenha comida em casa.
- Mostra sinais como palidez ou cansaço constante.
Quando treinados, professores conseguem prever risco de baixo peso com 83% de acerto.
Ferramentas digitais que ajudam
O aplicativo “Nutri Escola” permite registrar, em menos de um minuto, se o aluno aceitou a merenda ou não. O alerta chega direto para a equipe de saúde. Cidades que usam o app reduziram o tempo de atendimento de 45 para 18 dias.
Passo a passo para escolas e professores
- Registrar sempre o que a criança come ou deixa no prato.
- Observar sinais físicos simples: pele muito pálida, perda de peso visível, sono excessivo.
- Falar com a criança de forma gentil, sem usar apelidos ou críticas.
- Encaminhar ao posto de saúde se o problema persistir por 15 dias.
Dicas rápidas para a família
- Pergunte ao seu filho o que ele comeu na escola.
- Visite reuniões do Conselho de Alimentação Escolar da sua cidade.
- Se notar perda de peso, converse com a escola e com a unidade de saúde.
Por que isso tudo importa?
Merenda de qualidade + professor atento = dupla proteção contra a desnutrição. Esse cuidado melhora notas, diminui faltas e ajuda o Brasil a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2 e 4 – Fome Zero e Educação de Qualidade. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que pequenos passos na escola geram grandes saltos na vida das crianças.
Conclusão

A merenda escolar não é só comida: é uma ferramenta poderosa de saúde, aprendizado e igualdade. Quando gestores, professores e famílias trabalham juntos, cada refeição se transforma em lição de vida. Compartilhe este texto, converse com a escola do seu filho e lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Brasil. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Censo da Alimentação Escolar 2022. Brasília: FNDE, 2023.
- Brasil. Ministério da Educação. Relatório de Monitoramento Antropométrico 2014-2022. Brasília: MEC, 2023.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
- Tribunal de Contas da União. Auditoria operacional no PNAE (Acórdão 1195/2021-Plenário). Brasília: TCU, 2021.
- Brasil. Ministério da Educação. Resolução FNDE nº 6, de 8 de maio de 2020. Diário Oficial da União. Brasília, 2020.
- Fochi, Carolina et al. Adequação dos cardápios escolares ao PNAE em municípios paulistas. Revista de Nutrição, Campinas, v.36, e230105, 2023.
- Souza, Luana; Mattos, João. Jornada escolar e interação docente: uma análise nacional. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v.52, n.183, p.1-19, 2022.
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- Prefeitura de Londrina. Relatório de avaliação do “Nutri Escola”. Londrina: Secretaria Municipal de Educação, 2023.
- Santos, Priscila et al. Intervenções educativas e consumo de frutas e verduras em escolares: meta-análise. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.57, n.84, 2023.
- Fundo das Nações Unidas para a Infância. Alimentação Escolar e Aprendizagem. Brasília: UNICEF, 2022.
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de atenção à desnutrição infantil. 3. ed. Brasília: MS, 2023.