Merenda verde: estratégias para escolas que cuidam de crianças e do planeta

Aprenda passos práticos para implementar uma merenda verde, valorizando alimentos da estação e produtores locais.

Você sabia que a comida da escola pode cuidar das crianças e do planeta ao mesmo tempo? Quando compramos dos agricultores locais, plantamos hortas e evitamos desperdício, todos saem ganhando. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples faz grande diferença. Vamos entender passo a passo como isso funciona?

Por que comprar da agricultura familiar

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) pede que pelo menos 30% do dinheiro da merenda vá para agricultores familiares. Quando isso acontece, a escola recebe alimentos frescos, sem muitos intermediários.

Em 2022, apenas 57% dos municípios atingiram a meta. Onde a meta é cumprida, a oferta de frutas e hortaliças aumenta até 40%, garantindo mais sabor e nutrientes. Menos transporte também significa menos emissões de CO₂. No Paraná, contratos feitos por grupos de produtores reduziram faltas de entrega de 18% para 4%, mantendo a mesa cheia durante o ano.

Horta na escola: aprender, plantar e comer

Ter uma horta dentro ou ao lado da escola é uma aula viva. Crianças que ajudam a plantar comem, em média, 0,3 porção a mais de vegetais por dia. Colher o que se planta ensina sobre a estação do ano; por exemplo, o tomate de verão pode ter o dobro de licopeno. Seguir o calendário da região pode gerar economia de até 12%, permitindo investir em feijão, arroz e proteínas de melhor qualidade.

Cardápios sazonais: comer o que a terra dá agora

Algumas cidades criam “meses-temáticos”, como mandioca em agosto e abóbora em abril. Usar alimentos mais abundantes e baratos no momento reduz custos e aumenta a aceitação. Cursos rápidos sobre cortes e temperos naturais aumentam a aceitação dos pratos em até 25%. Menos industrializados, menos sal e mais sabor caseiro.

Menos lixo, mais planeta feliz

Mesmo com cuidado, 10% da comida ainda vai para o lixo. Pesar os restos semanalmente ajuda a identificar problemas. Em Belo Horizonte, o “Dia do Prato Limpo” reduziu em 32% o desperdício em três meses. Cozinhar feijão a granel na escola emite 1,8 kg de CO₂ a menos por 100 refeições do que usar feijão enlatado, mostrando que pequenas escolhas geram grande diferença.

Política que faz diferença

Estados como São Paulo e Ceará exigem alimentos orgânicos e premiam embalagens retornáveis. O novo Guia Alimentar para a População Brasileira prioriza comida de verdade. Em Florianópolis, uma plataforma online ligou produtores às escolas e elevou o índice de compras locais de 45% para 92% em dois anos. No mesmo período, bebidas adoçadas caíram 60%. Incentivar diálogo entre gestores, professores e famílias promove aprendizado e crescimento saudável.

Conclusão

Comprar do produtor local, plantar hortas e usar alimentos da estação são passos simples que deixam a merenda saudável, econômica e ecológica. Quando escola e comunidade se unem, todos ganham: crianças, agricultores e o planeta. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Relatório de execução do PNAE 2022. Brasília, 2023.
  2. MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Educação. Avaliação da qualidade nutricional da merenda escolar. Belo Horizonte, 2021.
  3. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Emissões de CO₂ na cadeia alimentar escolar brasileira. Brasília, 2022.
  4. PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Boas práticas em compras públicas da agricultura familiar. Curitiba, 2020.
  5. SILVA, T. A.; RODRIGUES, J. B. Hortas escolares e consumo de vegetais: revisão sistemática. Revista de Nutrição, Campinas, v. 34, e200093, 2021.
  6. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Boletim técnico: qualidade nutricional de hortaliças sazonais. Brasília, 2022.
  7. INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Custos comparativos de cardápios escolares sazonais. São Paulo, 2021.
  8. OBSERVATÓRIO DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR. Relatório anual de aceitabilidade de preparações. Rio de Janeiro, 2022.
  9. AKATU. Desperdício de alimentos no ambiente escolar brasileiro. São Paulo, 2023.
  10. BELO HORIZONTE. Secretaria Municipal de Educação. Projeto Dia do Prato Limpo: resultados preliminares. Belo Horizonte, 2022.
  11. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Avaliação de ciclo de vida de leguminosas no PNAE. Porto Alegre, 2023.
  12. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, 2022.
  13. FLORIANÓPOLIS. Secretaria de Educação. Plataforma de integração produção-consumo da merenda escolar. Florianópolis, 2023.