Gravidez sob ameaça invisível: partículas plásticas já chegam ao feto
Pesquisas apontam presença de microplásticos, PFAS e disruptores endócrinos em gestantes. Saiba quais riscos estão em estudo e a importância do acompanhamento médico.

Você já imaginou que pedaços minúsculos de plástico podem chegar até o seu bebê antes mesmo de nascer? Estudos recentes mostram que isso é possível. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar de forma simples o que a ciência descobriu e por que isso importa para todas as famílias que querem crescer com saúde.
O que são microplásticos e nanoplásticos?
Microplásticos são pedaços de plástico com menos de 5 mm, menores que um grão de arroz. Nanoplásticos são ainda menores, invisíveis a olho nu. Essas partículas estão no ar, na água e até em alimentos consumidos diariamente.
Microplásticos podem atravessar a placenta
Descoberta preocupante
Pesquisadores encontraram microplásticos em 80% das placentas analisadas. Isso significa que o feto pode ter contato direto com essas partículas durante a gestação.
“Cavalos de Troia” químicos
Essas partículas podem carregar outros contaminantes grudados em sua superfície, funcionando como um cavalo de Troia. Nanoplásticos penetram mais facilmente nas células e podem interferir em processos críticos do desenvolvimento fetal.
PFAS: os “químicos eternos”
Os PFAS são usados para tornar produtos resistentes à água e à gordura. Por permanecerem no corpo por décadas, receberam o apelido de “químicos eternos”. Estudos associam sua presença durante a gravidez a alterações no crescimento fetal e a efeitos adversos para mãe e filho.
Disruptores endócrinos no dia a dia
Disruptores endócrinos interferem no sistema hormonal, mesmo em pequenas doses. Estão presentes em plásticos, cosméticos e itens de higiene, como bisfenol A, ftalatos e parabenos. Pesquisas recentes mostram aumento da exposição dessas substâncias em gestantes.
Por que isso importa?
- O feto é mais sensível: pequenas doses podem ter efeitos relevantes.
- A placenta não é barreira total: microplásticos e PFAS conseguem atravessá-la.
- Os impactos podem surgir apenas mais tarde, na infância ou até na vida adulta.
Perguntas que você pode estar se fazendo
- Esses plásticos estão em todo lugar?
- É possível evitar totalmente a exposição?
- Como saber se já houve contato?
A ciência ainda busca respostas para essas questões. O mais importante é acompanhar os estudos e conversar com profissionais de saúde sempre que houver dúvidas.
Conclusão

A presença de microplásticos, PFAS e disruptores endócrinos na placenta mostra que a gravidez enfrenta novos desafios trazidos pelo ambiente moderno. Conhecer esses riscos ajuda a tomar decisões mais conscientes e a proteger o desenvolvimento do bebê.
No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara fortalece as famílias. Crescer com saúde é mais legal, e essa jornada começa ainda na barriga da mamãe.
Referências
- Ragusa A, et al. Plasticenta: First evidence of microplastics in human placenta. Environmental International. 2021;146:106274.
- Zhang Y, et al. Micro- and nanoplastics: An emerging threat to maternal and fetal health. Nat Rev Endocrinol. 2022;18:426-441.
- Wikström S, et al. Maternal serum levels of perfluoroalkyl substances in early pregnancy and offspring birth weight. Pediatr Res. 2020;87:1093-1099.
- Gore AC, et al. EDC-2: The Endocrine Society’s Second Scientific Statement on Endocrine-Disrupting Chemicals. Endocr Rev. 2015;36:E1-E150.
- Varshavsky JR, et al. Temporal trends in pregnancy-related exposure to chemicals. Environ Sci Technol. 2020;54:15757-15770.