Licença parental, merenda gratuita e cuidado integral: o modelo que deu certo

Saiba de que forma Suécia, Noruega e Dinamarca garantem que nenhuma criança passe fome, com merenda gratuita, licença parental ampliada e acompanhamento contínuo.

Você sabia que alguns países conseguiram acabar quase completamente com a desnutrição infantil? Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia criaram um sistema tão bom que suas crianças estão entre as mais saudáveis do mundo.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda criança merece crescer forte e saudável. Por isso, vamos conhecer os segredos desses países e ver o que podemos aprender com eles.

O que torna os países nórdicos especiais?

Os países nórdicos tratam a nutrição infantil como algo muito sério. Para eles, cuidar da alimentação das crianças é trabalho do governo, das famílias e da escola — todos juntos.

Imagine um guarda-chuva gigante que protege todas as crianças. Esse “guarda-chuva” começa a proteger desde quando o bebê ainda está na barriga da mãe e continua até a criança crescer.

Como funciona o sistema deles?

O sistema é como uma corrente: cada elo está ligado ao outro. Se um elo quebra, os outros seguram. Vamos ver cada parte.

Licença parental: tempo para cuidar do bebê

480 dias para ficar com o bebê

Na Suécia, os pais podem ficar em casa por 480 dias (mais de um ano!) para cuidar do bebê recém-nascido. Compare isso com o Brasil, onde a licença-maternidade é de 120 dias.

Esse tempo extra faz uma diferença enorme na amamentação. Mães que têm mais tempo conseguem amamentar por mais tempo e com menos estresse.

Resultados impressionantes na amamentação

Graças a esse tempo, mais de 80% das mães nos países nórdicos conseguem amamentar só no peito nos primeiros seis meses. É como se oito em cada dez bebês recebessem o melhor alimento possível.

Durante esse período, profissionais de saúde visitam as famílias em casa — é como ter uma enfermeira particular que vem ver se está tudo bem com o bebê e a mãe.

Merenda escolar gratuita para todos

70 anos de alimentação escolar

A Finlândia foi pioneira: desde 1948, todas as crianças nas escolas recebem comida gratuita e saudável. Imagine: nenhuma criança passa fome na escola.

Cardápio feito por especialistas

O cardápio não é qualquer um. Nutricionistas especializados criam as refeições seguindo regras rígidas:

  • Comida fresca e da época.
  • Alimentos orgânicos sempre que possível.
  • Pratos balanceados com todos os nutrientes.

É como ter um chef profissional cuidando da alimentação de cada criança.

Mais que comida: educação

Nas escolas nórdicas, as crianças não só comem bem — elas aprendem sobre alimentação. Descobrem de onde vem a comida, como escolher alimentos saudáveis e até como cozinhar.

Sistema de acompanhamento digital

Cada criança tem um “caderninho digital”

Imagine que cada criança tem uma caderneta de saúde digital. Nela, ficam todas as informações sobre crescimento, peso, altura e alimentação. Qualquer médico ou enfermeiro pode ver essas informações na hora.

Identificação rápida de problemas

Se uma criança não está crescendo bem ou tem problemas de alimentação, o sistema avisa rapidinho — é como ter um alarme que toca quando algo não está certo.

Para todas as crianças, sem exceção

Não importa se a família tem dinheiro

O mais bonito do sistema nórdico é que toda criança recebe os mesmos cuidados. Não importa se os pais são ricos ou pobres — todos têm direito à mesma qualidade de alimentação e de acompanhamento.

Sem vergonha, sem preconceito

Como é para todos, ninguém sente vergonha de usar os serviços. A merenda escolar não é “para pobres” — é para todas as crianças. Isso faz com que mais famílias usem os programas.

O que o Brasil pode aprender?

Começar desde cedo

Os países nórdicos mostram que é importante cuidar da nutrição desde a gravidez. Quanto mais cedo começamos, melhores são os resultados.

Trabalhar todos juntos

O sucesso vem quando governo, escolas, postos de saúde e famílias trabalham juntos. É como uma equipe de futebol: todo mundo tem que jogar junto para ganhar.

Investir na prevenção

É mais barato e eficiente prevenir a desnutrição do que tratá-la depois. É como cuidar de uma planta: é melhor regar todo dia do que tentar salvá-la quando está morrendo.

Conclusão

Os países nórdicos nos ensinam que acabar com a desnutrição infantil é possível, sim. O segredo está em três ingredientes principais: tempo para os pais cuidarem dos bebês, alimentação escolar de qualidade para todos e acompanhamento constante da saúde das crianças.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, sabemos que cada pequeno passo conta. Enquanto sonhamos com políticas públicas melhores, podemos aplicar algumas lições em nossas casas: valorizar a amamentação, escolher alimentos saudáveis e acompanhar o crescimento de nossas crianças.

Afinal, crescer com saúde é mais legal — e toda criança merece ter essa oportunidade.


Referências

  1. Nordic Council of Ministers. Nordic Nutrition Recommendations 2022. Copenhagen: Nordic Council; 2022.
  2. World Health Organization Regional Office for Europe. Nutrition in the WHO European Region. Copenhagen: WHO; 2021.
  3. Swedish National Board of Health and Welfare. Annual Report on Child Health. Stockholm: Socialstyrelsen; 2023.
  4. UNICEF. State of the Nordic Children: Nutrition and Well-being. Copenhagen: UNICEF Nordic Office; 2022.
  5. Finnish National Agency for Education. School Meals in Finland. Helsinki: EDUFI; 2021.
  6. Norwegian Directorate of Health. National Guidelines for School Meals. Oslo: Helsedirektoratet; 2022.
  7. Danish Health Authority. Child Health Monitoring System Report. Copenhagen: Sundhedsstyrelsen; 2023.