Mudanças climáticas: seca, calor e a saúde infantil
O aumento do calor e da seca já afeta o bem-estar e a respiração das crianças. Veja o que a ciência alerta e como reduzir riscos no dia a dia.

O clima está mudando — e isso já afeta o dia a dia das nossas crianças. Mais dias secos e quentes deixam o ar pesado, com fumaça e poeira.
Neste artigo do Clube da Saúde Infantil, você vai entender, em linguagem simples, por que a seca e o calor extremo são um perigo extra para os pulmões dos pequenos e o que podemos fazer agora para cuidar melhor deles.
Por que a seca faz mal para a respiração das crianças
Quando chove pouco, o ar fica mais seco, com umidade abaixo de 30%. Isso resseca o nariz e a garganta, retirando a camada protetora que defende as vias respiratórias. As crianças perdem água mais rápido que os adultos, por isso sofrem antes — especialmente as que têm asma, rinite ou bronquite.
Fumaça e poeira entram mais fácil
Durante períodos muito secos, aumentam as queimadas e a concentração de poeira no ar. As partículas finas da fumaça penetram profundamente nos pulmões infantis, ainda em desenvolvimento, provocando mais crises de tosse, chiado e falta de ar. Por isso, evitar a exposição e manter o ambiente limpo faz toda a diferença.
Números que preocupam (e ajudam a entender)
- A seca severa pode se tornar até 40% mais frequente no Nordeste até meados do século.
- A Amazônia corre o risco de perder parte significativa da sua umidade natural.
- Em anos de pouca chuva, as internações infantis por problemas respiratórios aumentam cerca de 20% a 25%.
Esses números mostram que agir agora é essencial para proteger as futuras gerações.
Quem sente mais
Crianças que vivem em regiões com pouca água encanada, baixa arborização e menor acesso à saúde são as mais vulneráveis. Esses fatores aumentam o impacto da seca e do calor, especialmente nas áreas urbanas periféricas e no Semiárido brasileiro.
O que podemos fazer em casa e na comunidade

1. Vigiar o clima e a saúde
Aplicativos gratuitos ajudam a acompanhar a umidade e a qualidade do ar. Se o aviso estiver em nível de risco, mantenha as crianças dentro de casa e use truques simples: balde com água, toalha úmida no quarto e limpeza frequente para reduzir poeira.
2. Usar os remédios certos na hora certa
Para crianças com asma ou alergias respiratórias, siga a receita médica à risca. Tenha o inalador de resgate sempre à mão e não espere a crise piorar para agir.
3. Criar “pontos frescos”
Algumas comunidades em regiões secas criaram espaços ventilados e sombreados onde as crianças ficam nas horas mais quentes do dia. Essas áreas, equipadas com ventilador e filtro de ar, reduziram significativamente o número de idas ao pronto-socorro.
4. Apostar na tecnologia simples
Sensores domésticos de umidade podem avisar, pelo celular, quando o ar está muito seco. Esses alertas ajudam as famílias a agir mais cedo e evitam que sintomas leves virem crises.
O papel dos hospitais e das políticas públicas
Hospitais que controlam a umidade e filtram o ar conseguem reduzir internações em UTIs pediátricas durante períodos de seca prolongada. Em paralelo, políticas públicas como corredores verdes, incentivos a umidificadores e programas de educação respiratória podem fazer diferença real.
Quer saber mais sobre políticas de saúde e clima? Visite o portal do Ministério da Saúde para acompanhar programas e orientações atualizadas.
Derrubando mitos rápidos
Mito: “Criança se acostuma rápido com o calor.”
Fato: Crianças têm menos reserva de água no corpo e sofrem antes dos adultos.
Mito: “Máscara só serve para COVID.”
Fato: Máscaras simples ajudam a filtrar poeira e reduzem crises de asma em dias de ar muito seco.
Checklist rápido para dias de seca e calor
- Ofereça água a cada hora.
- Evite exercícios ao ar livre entre 10h e 16h.
- Mantenha janelas fechadas se houver fumaça.
- Use pano úmido no chão para abaixar a poeira.
- Deixe o inalador e o plano de tratamento sempre por perto.
Conclusão

A seca e o calor extremo já fazem parte da realidade de muitas famílias brasileiras e colocam os pulmões das crianças sob pressão. Com pequenas mudanças em casa, apoio comunitário e políticas públicas que priorizem a infância, podemos reduzir internações e melhorar a qualidade do ar que nossos filhos respiram.
Cada ação conta — porque crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Intergovernmental Panel on Climate Change. Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Geneva: IPCC; 2021.
- Barros VR, et al. Climate change in South America: trends and projections. Revista Brasileira de Meteorologia. 2022;35(2):123-140.
- World Health Organization. Climate change and health. Geneva: WHO; 2021.
- United Nations Children’s Fund. The Climate Crisis Is a Child Rights Crisis: Introducing the Children’s Climate Risk Index. New York: UNICEF; 2021.
- Lopes FD, et al. Pediatric respiratory hospitalizations associated with drought in Northeast Brazil, 2000–2020.Jornal de Pediatria (Rio J). 2023;99(1):45-52.
- Ministério da Saúde (Brasil). Morbidade hospitalar do SUS – por local de residência. Brasília: MS; 2023.
- Gouveia N, et al. The burden of air pollution on children’s health in Brazil. Environmental Research. 2022;214:113851.
- Macedo R; Araújo R. Adaptive strategies for Brazilian health systems under climate change scenarios. Ciência & Saúde Coletiva. 2023;28(4):1021-1032.