Mudanças no sono, no humor e na rotina: quando é hora de levar seu filho ao psicólogo

Saiba reconhecer alterações que exigem atenção especial e entenda quando buscar acompanhamento profissional para apoiar seu filho.

Quando uma criança tem uma doença crônica como diabetes ou asma, não é só o corpo que precisa de cuidado. A mente também pode precisar de atenção especial. Estudos mostram que 5 em cada 10 crianças com doenças crônicas apresentam dificuldades emocionais importantes. Identificar esses sinais cedo pode fazer toda a diferença na vida do seu filho.

Por que ficar atento aos sinais emocionais?

Crianças com doenças crônicas enfrentam desafios diários. Tomar remédios, realizar exames e lidar com restrições podem deixá-las tristes, ansiosas ou irritadas.
A boa notícia é que, quando os sinais emocionais são identificados precocemente, é possível reduzir em até 40% as complicações relacionadas ao cuidado da doença. É como cuidar de uma planta: quanto antes percebe-se que precisa de água, mais fácil é salvá-la.

Principais sinais de alerta que você deve conhecer

Mudanças no sono e na alimentação

  • Dificuldade para dormir ou despertares frequentes.
  • Dormir muito mais do que o habitual.
  • Alterações no apetite, comendo de menos ou de mais.
  • Perda de interesse por comidas preferidas.

Comportamentos diferentes

  • Irritação ou explosões de raiva sem motivo aparente.
  • Choro frequente por pequenas situações.
  • Perda de interesse por brincadeiras.
  • Falas de desesperança ou pessimismo.
  • Isolamento dos amigos e familiares.
  • Queda no rendimento escolar.

Esses sinais funcionam como um semáforo amarelo: é hora de prestar mais atenção.

Como cada doença pode impactar de forma diferente

Crianças com diabetes

  • Medem a glicose diversas vezes ao dia, mesmo sem necessidade.
  • Demonstram medo constante de hipoglicemia.
  • Sentem ansiedade na aplicação da insulina.

Crianças com asma

  • Apresentam ataques de pânico diante de falta de ar.
  • Evitam exercícios físicos por medo de crises.
  • Rejeitam sair de casa para se proteger de possíveis episódios.

Ferramentas simples para identificar problemas

Existem testes que ajudam a avaliar se uma criança precisa de acompanhamento psicológico. Alguns exemplos:

  • Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ), que avalia comportamento.
  • Escala de Ansiedade Infantil, que mede níveis de ansiedade.

Eles funcionam como termômetros das emoções e podem ser aplicados pelo pediatra em consultas de rotina.

Quando a criança não segue o tratamento

Em cerca de 3 em cada 10 casos, a dificuldade em seguir o tratamento está ligada a problemas emocionais. Isso acontece quando a criança:

  • Não aceita a doença.
  • Sente ansiedade em relação aos remédios.
  • Encontra-se muito triste ou sem esperança.

O momento certo de buscar ajuda profissional

Procure um psicólogo quando:

  • Os sinais persistirem por mais de duas semanas.
  • A criança mencionar que não deseja viver.
  • O comportamento prejudicar o desempenho escolar ou as relações sociais.
  • Você sentir que não consegue ajudar sozinho.
  • O tratamento da doença não estiver funcionando bem.

Buscar ajuda psicológica não é sinal de fraqueza, mas sim de cuidado e amor.

Conclusão

Identificar sinais de sofrimento emocional em crianças com doenças crônicas é um gesto essencial de cuidado. Quando esses sinais são reconhecidos cedo, aumentam as chances de oferecer uma vida mais equilibrada e saudável. Converse com o pediatra, observe mudanças de comportamento e não hesite em buscar apoio profissional. Afinal, crescer com saúde é mais legal quando corpo, mente e coração são cuidados juntos.


Referências

  1. Thompson RJ, et al. Psychological adjustment of children with chronic health conditions: A meta-analysis. J Pediatr Psychol. 2019;44(2):139-149.
  2. Martinez-Aguayo A, et al. Early psychological intervention in chronic pediatric conditions. Diabetes Care. 2020;35(8):2020-2027.
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