Nova etapa, mesmo cuidado: a passagem do pediatra ao adulto

Entenda como acompanhar a passagem do pediatra para o médico adulto sem perder vínculo e continuidade, fortalecendo autonomia e confiança.

Quando o filho cresce, chega a hora de trocar o pediatra pelo médico de adultos. Essa mudança chama-se “transição”. Parece simples, mas envolve sentimentos, papéis novos e muitos detalhes de saúde. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar um caminho fácil para que ninguém fique sem cuidado.

O que é a transição?

Transição é o período em que o adolescente deixa o pediatra e passa a ser atendido por um clínico geral ou médico de família. Não é apenas marcar uma nova consulta. É garantir que todo o histórico de saúde siga junto, como um bastão passado de mão em mão.

Quando começar?

  • Idade ideal: entre 14 e 16 anos.
  • Fim do processo: até os 18 anos.

Essas orientações seguem recomendações de sociedades médicas brasileiras e internacionais.

Por que isso é importante?

  • Evita o “vazio” no atendimento.
  • Ensina o jovem a cuidar da própria saúde.
  • Reduz internações desnecessárias e melhora a continuidade do cuidado.

Desafios para pediatras e clínicos

Pediatras

  • Medo de romper o vínculo afetivo com o paciente.
  • Consultórios cheios podem apressar a saída.

Clínicos

  • Recebem jovens que ainda não sabem relatar seu histórico.
  • Poucos programas de residência incluem formação específica em saúde do adolescente.

Estratégias que funcionam

Consulta conjunta

Quando pediatra e clínico atendem juntos nas primeiras visitas, a chance de o jovem abandonar o acompanhamento cai pela metade.

Checklist de transição

Hospitais e clínicas usam listas simples com vacinas, resumo do prontuário e plano de emergência. Essas listas quase dobram a taxa de informações entregues corretamente ao novo médico.

Cursos rápidos para médicos

Treinamentos curtos aumentam a confiança dos profissionais para lidar com jovens em transição e garantem atendimentos mais acolhedores.

Ferramentas digitais

Aplicativos e sistemas eletrônicos ajudam a compartilhar exames, receitas e histórico de forma segura, evitando repetições de testes e atrasos no cuidado.

Dicas práticas para pais e jovens

  1. Guarde carteirinha de vacinas e laudos em um envelope ou aplicativo.
  2. Treine o adolescente a marcar consultas pelo telefone ou site.
  3. Faça perguntas simples: “Qual remédio você usa todos os dias?”
  4. Marque a primeira visita ao clínico ainda com o pediatra presente.

Perguntas frequentes

Meu filho pode ficar com o pediatra até os 21 anos?
Pode, mas não é o ideal. O corpo muda e o clínico geral tem preparo para doenças de adultos.

A nova consulta é mais cara?
Planos de saúde e o SUS cobrem. Basta verificar o tipo de atendimento disponível.

E se o jovem esquecer de ir às consultas?
Lembretes no celular e a presença do pediatra na primeira visita ajudam na adaptação.

Quebrando mitos

  • “Transição é abandono.” → Na verdade, é cuidado planejado.
  • “Clínico não entende adolescente.” → Com treinamento certo, entende sim.
  • “É só levar a ficha.” → Também é preciso ensinar o jovem a falar sobre sua saúde.

Conclusão

Trocar de médico é como mudar de escola: exige preparo, mas traz crescimento. Com consulta conjunta, checklist e diálogo, a transição vira ponte segura — não um salto no escuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

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