DHA e EPA: o segredo nutricional que pode mudar o desenvolvimento do cérebro infantil
Conheça as fontes alimentares desse nutriente essencial e o impacto direto dele na formação do cérebro e na capacidade cognitiva das crianças em diferentes idades.

Você já ouviu dizer que peixe faz bem para a cabeça? O segredo está no ômega-3, uma gordura boa que apoia o crescimento saudável do cérebro. Neste conteúdo do Clube da Saúde Infantil, explicamos onde encontrar esse nutriente, quanto as crianças precisam e como incluir ômega-3 nas refeições da família.
Ômega-3: o óleo que apoia o cérebro
O cérebro das crianças cresce rápido, como uma plantinha que precisa de cuidados constantes. O ômega-3, especialmente o DHA e o EPA, funciona como um nutriente essencial para a formação de novas células nervosas, para a conexão entre elas e para a proteção dos nervos. Estudos indicam que crianças com boa ingestão de ômega-3 podem apresentar melhor atenção, linguagem e resultados cognitivos.
Por que o ômega-3 é tão importante?
O DHA participa da formação das membranas das células cerebrais. Ele influencia a velocidade das sinapses, apoia processos de aprendizagem e contribui para o desenvolvimento visual. O EPA, por sua vez, atua reduzindo inflamações e ajudando na comunicação entre células.
Onde encontrar ômega-3 na comida do dia a dia?
• Peixes de água fria, como sardinha e cavalinha, que são acessíveis, nutritivos e têm baixo teor de mercúrio.
• Sementes, como chia e linhaça, que fornecem ALA, convertido parcialmente em DHA pelo organismo.
• Algas, disponíveis em versão em pó ou cápsulas, sendo alternativa para famílias vegetarianas.
• Ovos enriquecidos, que já trazem ômega-3 adicionado.
Dica prática: cerca de 100 g de sardinha assada podem oferecer a quantidade diária de DHA recomendada para crianças de 2 a 4 anos.
Quanto de ômega-3 meu filho precisa?
A Sociedade Brasileira de Pediatria sugere 100 a 200 mg de DHA por dia para crianças de 2 a 4 anos, podendo variar conforme a idade.
Idade — DHA recomendado (mg/dia)
1 a 2 anos — 70 a 100
2 a 4 anos — 100 a 200
5 a 8 anos — 200 a 250
Dicas fáceis para colocar ômega-3 no prato

• Sardinha amassada com limão na torrada.
• Panqueca feita com parte da farinha substituída por linhaça moída.
• Ovo mexido preparado com ovos enriquecidos com ômega-3.
• Suco com uma colher de chia, formando um gel que costuma agradar às crianças.
Se o acesso a peixe for limitado, vale conversar com o pediatra sobre alimentos fortificados ou suplementos.
Mitos e verdades sobre ômega-3
Mito: ômega-3 engorda.
Verdade: as quantidades usadas para fins de saúde cerebral são pequenas e não alteram calorias de forma significativa.
Mito: só peixe caro tem ômega-3.
Verdade: sardinha e cavalinha são opções econômicas e ricas em DHA e EPA.
Mito: sementes já são suficientes.
Verdade: o corpo converte apenas uma pequena parte do ALA em DHA. Por isso, fontes marinhas ou fortificadas também são importantes.
Quando falar com o pediatra?
Procure orientação se a criança consome pouco ou nenhum peixe, tem alergia a peixe ou ovo, apresenta atrasos de fala ou atenção, ou precisa de uma avaliação específica sobre suplementação. O pediatra pode solicitar exames para avaliar níveis de DHA e EPA e indicar os ajustes necessários na alimentação.
Conclusão

Garantir ômega-3 no dia a dia é mais simples do que parece. Um prato com sardinha, uma colher de chia ou um ovo enriquecido já fazem diferença. Com pequenas mudanças, você apoia o cérebro em crescimento do seu filho. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.
Referências
- KOLETZKO, B. et al. Dietary fat intakes for pregnant and lactating women. British Journal of Nutrition, v. 121, n. 11, p. 1303-1328, 2019.
- LAURITZEN, L. et al. DHA effects in brain development and function. Nutrients, v. 8, n. 1, p. 6, 2016.
- SANTOS, R. O. et al. Consumo de ácidos graxos em crianças brasileiras. Revista de Saúde Pública, v. 54, p. 78, 2020.
- CALDER, P. C. Very long-chain n-3 fatty acids and human health. European Journal of Lipid Science and Technology, v. 116, n. 10, p. 1280-1300, 2014.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Consenso sobre ácidos graxos ômega-3 na infância, 2021.