No Brasil, comer bem ainda depende do CEP
Entenda por que a orientação nutricional infantil ainda é um privilégio em várias regiões do Brasil e conheça iniciativas que tentam mudar esse cenário.

Você já tentou marcar uma consulta com nutricionista infantil e achou demorado? Você não está sozinho. No Brasil, ainda existem grandes diferenças no acesso à orientação alimentar para crianças.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples pode mudar essa realidade. Vamos mostrar os desafios e, principalmente, as soluções que já estão funcionando. Vamos juntos?
Por que o acesso ainda é desigual
Faltam profissionais em muitos lugares. No Sudeste há um nutricionista para cada 2 mil pessoas. No interior da Região Norte, chega a um para 18 mil. Isso faz com que muitas famílias fiquem sem atendimento.
Renda e estudo contam. Apenas 19% das mães com pouca escolaridade receberam orientação nos dois primeiros anos da criança. Entre mães com ensino superior, o número sobe para 46%.
Cultura também pesa. O costume de oferecer fórmulas prontas e ultraprocessados pode fazer alguns pais acharem que não precisam de ajuda profissional.
Onde buscar ajuda hoje

Unidade Básica de Saúde (UBS) e Estratégia Saúde da Família
A UBS é a porta de entrada. Porém, só 43% das unidades têm nutricionista, e no Norte esse número cai para 27%. Mesmo assim, vale agendar e colocar o nome na lista o quanto antes.
Teleconsulta gratuita pelo SUS
Em cidades menores, a teleconsulta já reduziu em 35% a fila de espera por avaliação nutricional pediátrica. Basta ter acesso à internet no posto de saúde ou em casa.
Planos de saúde
Alguns planos oferecem pacotes de acompanhamento nutricional infantil. Crianças que usam esse serviço têm 22% menos internações por complicações da obesidade.
Novas ideias que estão funcionando
Agentes comunitários treinados. No Acre, 150 agentes aprenderam a medir peso e altura e a identificar risco nutricional cedo. O índice de detecção subiu de 18% para 62%.
Programa híbrido: consulta + aplicativo. Em São Paulo, combinar atendimento presencial com acompanhamento por celular reduziu as faltas de 30% para 12%.
Inteligência artificial nas escolas. Um projeto piloto usa dados de peso e altura para avisar a UBS quando a criança precisa de cuidado — rápido como um alerta de mensagem no celular.
Desafios que ainda temos
Menos dinheiro público. O gasto federal em nutrição caiu de R$ 5,4 bilhões (2014) para R$ 3,9 bilhões (2022).
Faltas nas consultas. Transporte difícil, horários de trabalho e pouca percepção de benefício fazem 30% das famílias faltarem.
O que sua família pode fazer agora
- Procure a UBS mais próxima e peça inscrição na fila do nutricionista.
- Pergunte sobre teleconsulta — às vezes a vaga aparece mais rápido.
- Converse com o agente de saúde do seu bairro: ele pode medir peso e altura da criança.
- Se tiver plano, verifique se há pacote de nutrição infantil.
- Evite ultraprocessados: comida de verdade é sempre melhor.
Perguntas comuns
1. Preciso pagar pela teleconsulta?
Não. O serviço pelo SUS é gratuito.
2. Agente comunitário substitui o nutricionista?
Não. Ele apenas ajuda a identificar problemas e encaminhar a criança mais rápido.
3. Meu filho está acima do peso. O que faço até a consulta?
Reduza refrigerantes, ofereça frutas e água e incentive brincadeiras ao ar livre.
Conclusão

Garantir orientação nutricional para todas as crianças brasileiras ainda é um desafio, mas já existem soluções que funcionam: teleconsulta, agentes comunitários treinados e programas híbridos.
Quanto mais cedo o cuidado, melhor o crescimento e o aprendizado dos pequenos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Perfil do nutricionista no Brasil: relatório técnico. Brasília: CFN, 2023.
- BRASIL. Ministério da Saúde; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Relação nutricionista/habitantes por unidade federativa. Brasília: MS/IBGE, 2022.
- INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Mapa das desigualdades na saúde. Brasília: Ipea, 2021.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: percepção do cuidado nutricional. Brasília: MS, 2020.
- SILVA, C. D.; GOMES, R. O papel da cultura no consumo de ultraprocessados na primeira infância. Revista de Saúde Pública, v. 57, 2023.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde: dados de profissionais. Brasília: MS, 2023.
- SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal da Saúde. Indicadores de tempo de espera em consultas especializadas. São Paulo: SMS, 2022.
- SOUZA, M. A. et al. Teleatendimento nutricional em municípios de pequeno porte: impacto sobre filas de espera.Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 5, 2022.
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- AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Relatório de saúde suplementar 2022. Rio de Janeiro: ANS, 2023.
- BRASIL. Ministério da Fazenda. Execução orçamentária em alimentação e nutrição 2014–2022. Brasília: MF, 2023.
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- FERREIRA, H. G. et al. Intervenção híbrida para promoção de acompanhamento nutricional: ensaio clínico.Nutrition, v. 104, 2022.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária. Projeto Piloto de Inteligência Artificial no PSE: relatório preliminar. Brasília: MS, 2023.