Um país contado pelo lanche: o que a comida revela sobre nossas infâncias
Descubra o que as merendas de cada época contam sobre nossos hábitos e valores, e por que o retorno aos lanches simples ganha força nas escolas.

Você se lembra do seu lanche escolar quando era criança? Se você tem mais de 30 anos, provavelmente levava uma fruta, um pão caseiro ou um suco natural. Mas se olhar a lancheira dos pequenos hoje, vai encontrar um mundo bem diferente. Aqui no Clube da Saúde Infantil, contamos como o lanche escolar brasileiro mudou tanto nos últimos 50 anos.
Como era o lanche escolar antigamente
Os anos de ouro da lancheira natural
Nas décadas de 1970 e 1980, a lancheira das crianças brasileiras era como um pequeno baú de tesouros naturais. As mães preparavam lanches caseiros com muito carinho. Era comum encontrar:
- Frutas frescas da época.
- Pães feitos em casa.
- Sucos naturais.
- Bolinhos simples, feitos no forno.
Até os anos 1990, a maioria dos lanches escolares ainda era feita em casa, com ingredientes frescos e preparo familiar. Essa rotina ajudava a garantir uma alimentação mais equilibrada e nutritiva.
A chegada dos alimentos de pacote
Quando tudo mudou
A partir dos anos 2000, algo grande aconteceu nas lancheiras brasileiras. Os alimentos industrializados começaram a tomar conta do espaço antes reservado às frutas e bolos caseiros.
O consumo de produtos ultraprocessados entre crianças cresceu de forma expressiva nas últimas duas décadas, transformando o que antes era exceção em hábito.
Por que isso aconteceu
Várias mudanças na vida das famílias brasileiras influenciaram esse cenário:
- Mais mães e pais passaram a trabalhar fora de casa.
- As cidades ficaram maiores e a rotina mais corrida.
- A publicidade de alimentos de pacote se intensificou.
- O consumo rápido passou a parecer mais prático e acessível.
O lanche deixou de ser preparado em casa e passou a ser comprado pronto, o que reduziu a variedade e a qualidade nutricional.
O problema dos ultraprocessados

O que são os ultraprocessados
São alimentos que passam por muitas etapas industriais e recebem aditivos químicos, conservantes, corantes e aromatizantes. Exemplos comuns nas lancheiras:
- Biscoitos recheados.
- Salgadinhos de pacote.
- Refrigerantes.
- Sucos de caixinha com alto teor de açúcar.
Esses produtos são práticos, mas oferecem pouca nutrição e podem contribuir para o ganho de peso e outras doenças crônicas.
Os números que preocupam
Pesquisas recentes mostram que boa parte das crianças brasileiras consome alimentos ultraprocessados várias vezes por semana. Esse padrão está associado ao aumento da obesidade infantil e à redução do consumo de frutas, verduras e legumes.
A formação de hábitos alimentares acontece na infância, e escolhas repetidas nessa fase influenciam a saúde na vida adulta.
A boa notícia: o retorno aos lanches saudáveis
Pais mais conscientes
Felizmente, muitas famílias estão se conscientizando sobre a importância de uma alimentação equilibrada. Cada vez mais pais e mães buscam opções naturais e nutritivas para o lanche dos filhos.
Sinais de mudança
Profissionais da saúde e da educação notam que:
- Pais perguntam mais sobre alimentação saudável.
- Escolas oferecem opções naturais nas cantinas.
- Crianças estão mais abertas a experimentar frutas.
- Famílias voltam a cozinhar em casa.
Esses sinais indicam que a cultura alimentar infantil está passando por uma transformação positiva.
Dicas práticas para uma lancheira saudável
Opções simples e gostosas
- Frutas picadas em potinhos coloridos.
- Sanduíche natural com ingredientes frescos.
- Água ou suco natural.
- Castanhas e outras oleaginosas (para crianças sem alergia).
- Bolinhos caseiros com menos açúcar.
Tornando o saudável atrativo
- Use potes coloridos e divertidos.
- Corte as frutas em formatos diferentes.
- Envolva a criança na preparação.
- Varie as cores e as texturas dos alimentos.
Pequenas mudanças tornam o momento do lanche mais prazeroso e estimulam escolhas saudáveis.
Conclusão

A história do lanche escolar brasileiro mostra que é possível conciliar praticidade e saúde. Sim, a vida moderna é corrida, mas hoje temos mais informação para fazer melhores escolhas.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que pequenas trocas fazem grande diferença. Substituir um salgadinho por uma fruta ou um refrigerante por água já é um grande passo.
Não precisa ser perfeito — precisa ser melhor. Cada lanche saudável é um investimento no futuro do seu filho. Afinal, crescer com saúde é mais legal!
Referências
- SILVA, M. R.; SANTOS, A. L. Evolução dos padrões alimentares escolares no Brasil. Revista de Nutrição Brasileira, v. 25, n. 3, p. 145-159, 2018.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2019.
- BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Relatório sobre consumo alimentar de escolares. Brasília: MS, 2020.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO. Panorama da alimentação escolar 2021. São Paulo: ASBRAN, 2021.