Ninguém educa sozinho: o que acontece quando família e escola se escutam

Quando escola e família atuam juntas, o ambiente fica mais seguro e acolhedor. Veja como pequenas atitudes diárias reduzem riscos e fortalecem o bem-estar infantil.

Bullying dói no corpo e no coração, ainda mais para quem convive com asma, diabetes ou outra doença crônica. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como família e escola podem virar um escudo protetor para esses pequenos. Vamos aprender juntos passos fáceis, leis que ajudam e dicas que funcionam?

Por que falar de bullying e doença crônica

O bullying aumenta crises de asma, eleva a glicemia e causa faltas na escola. Quando a criança se sente segura, ela respira melhor, controla o açúcar no sangue e aprende mais.

Comunicação aberta: família + escola

Conversar sempre e de forma clara reduz quase pela metade os casos de bullying. Use:

  • Agenda digital ou caderno com registros rápidos do dia.
  • Reuniões mensais em horários acessíveis para todos.
  • Contato direto com professor e coordenação.

Plano Individual de Atendimento (PIA)

O PIA é um roteiro que ajuda a escola a cuidar melhor de cada aluno. Deve incluir:

  • Nome da doença e remédios diários.
  • Sinais de urgência, como chiado no peito.
  • Atividades físicas permitidas.

Escolas que adotaram o PIA tiveram 40% menos crises de asma.

Roda de conversa para pais

Encontros rápidos e acessíveis ajudam famílias a reconhecer microagressões e fortalecer a autoestima das crianças — resultado: menos faltas por motivo de saúde.

Força emocional dentro de casa

Crianças emocionalmente preparadas reagem melhor ao bullying e cuidam mais da própria saúde.

Role-playing (faz de conta)

Brinque de responder a situações de bullying em casa. A criança ganha palavras simples para pedir ajuda e se posicionar.

Rede de segurança

Monte uma lista de:

  • Amigos confiáveis.
  • Professor de confiança.
  • Profissional de saúde de referência.

Saber a quem recorrer reduz o estresse e melhora o controle da doença.

Tecnologia amiga

Aplicativos de controle de glicemia ou de pico de fluxo podem enviar alertas para os pais — mais tranquilidade e segurança no dia a dia.

Família que cobra muda a escola

As leis existem, mas só funcionam quando há participação ativa das famílias.

Leis na prática

  • Lei 13.185/2015: combate ao bullying.
  • Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão): garante adaptações e acessibilidade.

Ferramentas de ação

  1. Documentar: protocole laudos médicos e registros de ocorrências.
  2. Pedir adaptações: solicite ajustes em aulas de educação física ou avaliações.
  3. Participar do conselho escolar: inclua as DCNTs nos planos pedagógicos.

Com engajamento contínuo, escolas registram menos casos de bullying e melhoram o ambiente de aprendizagem.

Conclusão

Quando família, escola e profissionais de saúde caminham juntos, a criança com doença crônica vive menos bullying, menos crises e mais alegrias. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Carvalho PR, Souza LF. Comunicação escola-família e redução do bullying em crianças com doenças crônicas.Rev Paul Pediatr, 38(4):1-9, 2020.
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Saúde na escola: relatório de monitoramento 2019–2021. Brasília, 2022.
  3. Santos MP, et al. Planos Individuais de Atendimento e crises asmáticas em ambientes escolares. J Bras Pneumol, 47(2):e20210123, 2021.
  4. Gomes R, Lima N. Capacitação parental e absentismo em escolares com DCNT. Cad Saúde Pública, 36(5):e00051220, 2020.
  5. Silva AR, Moraes CF. Coping e autopercepção em vítimas de bullying com DCNTs. Psicol Teor Pesq, 37:e3727, 2021.
  6. Oliveira KL. Diabetes tipo 1 e enfrentamento do bullying: estudo de caso. Rev Endocrin Pediatr, 2(1):45-53, 2020.
  7. Pereira DG, et al. Impacto do estresse escolar na glicemia de adolescentes. Diabetol Clín, 6(3):98-104, 2021.
  8. Associação Nacional de Apoio a Crianças com DCNT. Relatório de grupos de pais 2018–2020. São Paulo, 2021.
  9. Brasil. Lei n.º 13.185, de 6 de novembro de 2015. Programa de Combate à Intimidação Sistemática. Diário Oficial da União, 9 nov. 2015.
  10. UNICEF. Participação de famílias na prevenção ao bullying: guia prático. Brasília, 2021.
  11. Costa ES, Barbosa VH. Avaliação de políticas antibullying em escolas inclusivas. Educ Pesqui, 48:e246842, 2022.
  12. Sociedade Brasileira de Pediatria. Consenso sobre bullying e doenças crônicas na infância. Rio de Janeiro, 2022.