Além do prato: por que tratar a obesidade infantil vai muito além da dieta

Entenda por que dietas isoladas raramente funcionam e conheça estratégias completas que unem alimentação equilibrada, apoio emocional e movimento.

Você já tentou colocar seu filho em uma dieta para perder peso, mas depois de alguns meses ele voltou a engordar? Não se sinta culpado — isso acontece com a maioria das famílias. Estudos mostram que tratamentos focados apenas em dieta ou exercício falham em 7 a cada 10 casos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender o porquê disso acontece é o primeiro passo para ajudar seu filho de verdade.

O que dizem os números sobre dietas para crianças

Quando falamos de obesidade infantil, os números são bem claros: entre 70% e 85% dos tratamentos que focam apenas em um aspecto (como só dieta ou só exercício) não dão certo a longo prazo.

No Brasil, pesquisas feitas em hospitais especializados mostram algo ainda mais preocupante: mais da metade das famílias (6 em cada 10) desistem do tratamento nos primeiros seis meses. Isso acontece porque é muito difícil manter mudanças quando não entendemos toda a situação.

Por que só dieta não funciona?

O problema da falta de comunicação

Imagine que você está construindo uma casa. Se só o pedreiro trabalhar, mas não conversar com o eletricista e o encanador, a casa não vai ficar boa. Com a saúde das crianças é igual.

Quando cada profissional trabalha sozinho, pode acontecer de:

  • O nutricionista dar uma orientação.
  • O psicólogo dar outra diferente.
  • Os pais ficarem confusos.
  • A criança não saber o que fazer.

Quando só dieta pode fazer mal

Aqui vem uma informação muito importante: estudos mostram que quando crianças fazem apenas dietas rígidas, sem apoio emocional, 1 em cada 4 pode desenvolver problemas com comida mais sérios.

É como tentar tapar um buraco grande com um band-aid pequeno — não resolve e ainda pode piorar.

O que acontece depois da dieta?

A parte mais triste é que 9 em cada 10 crianças que fazem tratamento focado só em dieta voltam a ganhar peso em até dois anos. É como se fosse um ciclo que nunca acaba:

  1. Criança faz dieta.
  2. Perde peso.
  3. Para a dieta.
  4. Volta a ganhar peso.
  5. Família fica frustrada.
  6. Tenta nova dieta.

Isso acontece porque a obesidade é como uma árvore grande — se você só cortar as folhas (fazer dieta), mas não cuidar da raiz (os motivos que fazem a criança comer demais), ela vai crescer de novo.

Por que isso acontece?

A obesidade infantil não é só sobre comida. É sobre:

  • Como a criança se sente.
  • Como a família vive.
  • Se tem tempo para cozinhar em casa.
  • Se a criança está triste ou ansiosa.
  • Se tem amigos para brincar.
  • Se dorme bem.

É como um quebra-cabeça de muitas peças. Se você só mexer em uma peça, o quebra-cabeça não fica completo.

O que fazer então?

Aqui no Clube da Saúde Infantil, sempre falamos que o melhor tratamento é aquele que olha para a criança como um todo. Isso significa:

  • Nutricionista: para ensinar sobre comida gostosa e saudável.
  • Psicólogo: para ajudar com os sentimentos.
  • Educador físico: para tornar o exercício divertido.
  • Médico: para cuidar da saúde geral.
  • Família: porque vocês são a parte mais importante.

Todos trabalhando juntos, como uma equipe de futebol onde cada um tem sua posição, mas todos querem o mesmo gol: ver a criança feliz e saudável.

Conclusão

Lembre-se: não é culpa sua se as dietas não funcionaram antes. A obesidade infantil é complexa e precisa de cuidado completo. O importante é não desistir e buscar ajuda de uma equipe que entenda que cada criança é única e especial.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que com o apoio certo, paciência e muito amor, toda criança pode encontrar seu caminho para uma vida mais saudável. Porque crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Silva MR, Santos AB. Análise longitudinal de intervenções em obesidade infantil. Rev Bras Pediatr. 2019;37(2):45-52.
  2. Oliveira PS, Costa RF. Limitações das abordagens tradicionais no tratamento da obesidade pediátrica. Arq Bras Endocrinol Metab. 2020;64(3):112-120.
  3. Ferreira LM, et al. Consequências psicológicas de intervenções nutricionais isoladas em crianças com obesidade. J Pediatr (Rio J). 2021;97(4):401-408.
  4. Santos JL, Martinez JA. Recidiva ponderal após tratamento unidisciplinar da obesidade infantil: estudo multicêntrico. Rev Nutr. 2018;31(1):25-34.