O que o prato do seu filho revela: como medir e melhorar a merenda escolar

Aprenda passos simples para medir, analisar e agir na cantina, reduzindo ultraprocessados, cortando desperdício e promovendo alimentação saudável.

Você sabia que olhar o prato das crianças pode contar uma grande história? Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como medir, analisar e agir na cantina da escola. Com passos simples, é possível reduzir ultraprocessados, cortar desperdício e ajudar cada aluno a crescer forte.

Por que medir a merenda importa

Medir é como usar uma régua: só assim sabemos se algo está certo ou precisa de ajuste. Quando a escola vigia o cardápio, a saúde de todos melhora.

Quatro jeitos fáceis de monitorar

1. Conferir o cardápio

Compare o que foi planejado com o que chegou ao prato. Observe energia, proteínas e vitaminas para identificar excesso de refrigerantes ou salgadinhos.

2. Olhar o prato antes e depois

Pese a comida antes do aluno comer e os restos depois, como se descobrisse quanto combustível ficou no tanque.

3. Medir peso e altura das crianças

Anote peso, altura e Índice de Massa Corporal (IMC). Um simples exame de sangue pode identificar anemia, mostrando se a merenda ajuda no crescimento.

4. Usar aplicativos

Ferramentas como NutrIn Escola e Cantina Viva fazem os cálculos automaticamente e apresentam gráficos quase em tempo real.

Quando fazer as medições

O FNDE sugere medir duas vezes por ano, mas alguns estados monitoram a cada dois meses para corrigir erros mais rapidamente.

Indicadores principais (os números que contam)

A adequação calórica e proteica deve atingir mais de 90% para garantir melhor crescimento. O consumo de alimentos in natura ou minimamente processados deve atingir 75% do total. Escolas modelo oferecem ultraprocessados, no máximo, duas vezes ao mês. Taxa de anemia e IMC fora do ideal podem ser reduzidos com suplementação de ferro e frutas ricas em vitamina C.

Transformando dados em ação

Os resultados são exibidos em gráficos para pais, professores e gestores a cada três meses. Softwares também indicam quais alimentos sobram mais. Em Minas Gerais, cortar a cenoura em palitos reduziu o desperdício em 28%.

Fiscalizar não é castigar

A Resolução FNDE nº 06/2020 prevê primeiro orientação, depois curso e, só depois, punição, criando um clima de aprendizado constante.

Conclusão

Quando a escola mede, ela aprende. Quando analisa, ela decide. Quando age, ela muda vidas. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e começa com um prato bem cuidado!


Referências

  1. BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Relatório de gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar – exercício 2021. Brasília, DF: FNDE, 2022.
  2. BRASIL. Ministério da Educação. Resolução FNDE nº 06, de 8 de maio de 2020. Diário Oficial da União, 2020.
  3. SANTOS, R. M. et al. Avaliação da qualidade nutricional e desperdício em cantinas escolares de Minas Gerais. Revista de Nutrição, 34, e200123, 2021.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION. School health and nutrition: global status report 2022. Geneva: WHO, 2022.
  5. FRANCISCHINI, S.; PAULA, A.; POUBEL, M. Ferramentas digitais para monitoramento da alimentação escolar. Cadernos de Saúde Pública, 37(4), 2021.
  6. PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Sistema “Merenda em Foco”: relatório anual 2022. Curitiba, 2023.
  7. RIBEIRO, L. N.; COSTA, F.; OLIVEIRA, J. Impacto da adequação nutricional do cardápio escolar na estatura de crianças. Ciência & Saúde Coletiva, 26(9), 3351-3360, 2021.
  8. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: MS, 2014.