Baixa estatura infantil: prevenção começa com cuidados simples

Aprenda a identificar indícios de atraso no crescimento, saiba como agir cedo e conheça estratégias que fortalecem a saúde infantil em casa e na escola.

Seu filho ou filha está crescendo bem? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que medir e agir cedo é o primeiro passo para “crescer com saúde é mais legal”. Neste guia rápido, você aprende a reconhecer sinais de alerta, usar ferramentas simples em casa e saber quando buscar ajuda.

Sinais precoces: olho vivo!

Por que medir sempre?

O crescimento é como um termômetro da saúde da criança.
• No 1º semestre: pesar e medir todo mês.
• Até 2 anos: a cada 3 meses.
• Depois: a cada 6 meses.

Use a Caderneta da Criança. Se a linha no gráfico cai um bloco colorido ou para de subir, procure a Unidade Básica de Saúde.

Três alertas de comportamento

  1. Dificuldade constante para mamar.
  2. Oferecer ultraprocessados antes do tempo.
  3. Muitas gripes ou diarreias repetidas.

Se notar um desses pontos, marque consulta em até 30 dias. A chance de recuperar a altura é maior antes dos 2 anos, quando acontece 60 % do crescimento pós-natal.

Agir rápido faz diferença

Combinar boa alimentação, tratamento de infecções e vitaminas pode reduzir em até 40 % os atrasos de crescimento quando começa cedo. Pense como apagar fogo: quanto mais rápido, menos estrago.

Ferramentas que funcionam na família

Jogos e vídeos fáceis

• Cartazes com porções desenhadas.
• Vídeos curtos no WhatsApp.
• Jogo “Prato Colorido”: quanto mais cores num prato de brinquedo, melhor a refeição.

Comida boa e barata

• Use talo de couve no mingau.
• Feijão com farinha de osso esterilizada aumenta cálcio sem custo extra.
• No campo, o “Calendário da Horta Familiar” ajuda a plantar espinafre e abóbora na época certa.

Tecnologia que lembra você

O app gratuito “Crescer+” envia avisos de vacina, peso e receitas ricas em proteína. Quem usa vai 25 % mais às consultas. Sem internet? Agentes de saúde fazem visitas em casa.

Escola também ajuda a crescer

Merenda inteligente

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) pede que 30 % dos alimentos venham da agricultura familiar, ricos em ferro e zinco. Municípios com nutricionista exclusivo no PNAE têm 18 % menos casos de baixa estatura.

Bullying? Não!

Crianças mais baixas sofrem mais apelidos. Roda de conversa com psicólogo reduz bullying em 37 % em seis meses. Autoestima também alimenta o crescimento.

Rede que protege

Quando a escola encontra um caso de baixa estatura, um SMS seguro para a UBS garantiu que 92 % das crianças fossem atendidas em até 15 dias em um município paulista.

Quando procurar ajuda médica?

• Linha do gráfico caiu um bloco.
• Dois ou mais alertas de comportamento.
• Nenhuma melhora após suas ações em 30 dias.

Leve a caderneta, anote o que a criança come e qualquer doença recente.

Dicas rápidas para o dia a dia

• Varie as cores do prato.
• Ofereça água, não refrigerante.
• Mantenha carteirinha de vacina em dia.
• Brinque ao ar livre; sol ajuda a produzir vitamina D.

Conclusão

Medir, agir rápido e usar recursos simples em casa, na escola e na comunidade faz toda diferença. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND. State of the world’s children 2019: children, food and nutrition. New York: UNICEF, 2019.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guideline: assessing and managing children at primary health-care facilities to prevent overweight and obesity in the context of the double burden of malnutrition. Geneva: WHO, 2017.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  4. SILVA, Ana L. et al. Educational strategies to prevent stunting in Brazilian primary care. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 55, p. 1-10, 2021.
  5. VICTORA, Cesar G. et al. Stunting in childhood. Nature Reviews Disease Primers, v. 7, p. 1-19, 2021.
  6. BLACK, Robert E. et al. Maternal and child undernutrition and overweight in low-income and middle-income countries. The Lancet, London, v. 382, n. 9890, p. 427-451, 2013.
  7. MONTEIRO, Carlos A.; CANNON, Geoffrey. The impact of globalization on food and nutrition in the new millennium. Nestlé Nutrition Workshop Series: Pediatric Program, v. 55, p. 1-18, 2005.