Primeiros socorros para doenças crônicas deixam escolas mais seguras

Aprenda como implantar protocolos de primeiros socorros contra doenças crônicas na escola e veja como pequenas ações podem salvar vidas.

Você sabia que crises de asma, diabetes ou alergia podem acontecer dentro da sala de aula? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda escola pode estar pronta para ajudar com rapidez e segurança. Este guia mostra, em linguagem simples, como criar um programa de primeiros socorros para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). Vamos aprender juntos?

Por que a escola precisa desse programa?

No Brasil, milhares de crianças vivem com asma, diabetes, epilepsia ou alergias fortes. Uma crise pode surgir a qualquer momento. Quando a equipe escolar sabe o que fazer, o socorro chega mais rápido e a vida do aluno fica protegida. Além disso, a Lei Lucas exige treinamento básico de primeiros socorros para todos os funcionários.

Passo a passo para montar o programa

1. Descobrir as necessidades da escola

A escola aplica um questionário simples para pais, alunos e professores. Assim, descobre quantas crianças têm asma, diabetes, epilepsia ou alergia grave.

2. Criar o comitê de saúde escolar

O grupo reúne direção, professores, pais, alunos e profissionais de saúde da comunidade. Todo mundo participa das decisões.

3. Escrever protocolos claros

Os protocolos são roteiros de ação para crises de hipoglicemia, crise asmática, convulsão ou anafilaxia. Eles seguem guias das sociedades médicas brasileiras. Também mostram quem liga para o SAMU e quem avisa a família.

4. Treinar a equipe

Um curso de 8 a 12 horas, com aula prática e simulações, faz toda a diferença. Estudos mostram aumento de 42% no conhecimento seis meses depois.

5. Montar kits de emergência

O kit fica em local fácil de pegar e contém:

  • Glicosímetro e açúcar de ação rápida.
  • Espaçador para inalador de asma.
  • Máscara de bolso para respiração boca a boca.
  • Autoinjetor de adrenalina, se algum aluno tiver risco de alergia grave.

6. Avaliar e reciclar

Todo ano, a equipe faz um teste rápido e repassa o conteúdo. Em algumas escolas, a reciclagem semestral reduziu em 28% as chamadas de ambulância.

Como pagar e manter o programa vivo

Recursos públicos

O FNDE permite usar o Programa Dinheiro Direto na Escola para comprar material de primeiros socorros.

Parcerias com universidades

Faculdades de Enfermagem ou Medicina podem mandar alunos para dar oficinas supervisionadas, sem custo para a escola.

Apoio de empresas e ONGs

Em Curitiba, uma parceria com a indústria farmacêutica doou 200 autoinjetores de adrenalina e treinou mais de 8 mil profissionais, reduzindo remoções por crise em 37%.

Colocar no Projeto Político-Pedagógico (PPP)

Quando o programa entra no PPP, ele não depende só da boa vontade de um diretor. Vira parte oficial da rotina escolar.

Tecnologia para acompanhar resultados

Planilhas online ou aplicativos gratuitos ajudam a registrar:

  • Número de crises e quantas precisaram de ambulância.
  • Tempo entre os primeiros sinais e a ajuda do professor.
  • Porcentagem de funcionários treinados.
  • Opinião de pais e alunos (questionário simples de 1 a 5).

Esses dados mostram onde melhorar e ajudam a buscar novos recursos.

Espalhando a boa prática

Depois que a primeira escola estiver segura, ela vira núcleo multiplicador. Os próprios professores treinados ensinam colegas de outras unidades. Assim, o conhecimento vira rotina, como escovar os dentes, e cuidar de DCNTs passa a fazer parte do DNA escolar.

Perguntas frequentes

Preciso comprar equipamentos caros?
Não. Manequins simples e espaço aberto já resolvem a parte prática do curso.

Quem pode aplicar injeção de adrenalina?
Qualquer funcionário treinado, seguindo o plano da criança e o protocolo da escola.

E se a família não contar que o filho tem uma doença?
Questionários e conversa próxima com os pais ajudam a descobrir cedo.

Conclusão

Quando a escola se prepara, todos ficam mais seguros: alunos, famílias e professores. Com passos simples — conhecer as necessidades, treinar a equipe e avaliar sempre — é possível salvar vidas e diminuir o medo das crises. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Brasil. Lei nº 13.722, de 4 de outubro de 2018. Diário Oficial da União, 2018.
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Secretaria de Atenção Primária. Cadernos de Atenção Básica: Saúde na Escola. Brasília: MS, 2021.
  3. Organização Mundial da Saúde. Global School Health Policies and Practices Survey 2020. Geneva: WHO, 2021.
  4. Silva AC, Lima RT. Programas de primeiros socorros em escolas públicas: avaliação de custo-efetividade. Revista de Saúde Pública, v. 54, n. 2, 2020.
  5. Prefeitura Municipal de Curitiba. Relatório de Gestão da Secretaria Municipal da Educação 2021. Curitiba: PMC, 2022.
  6. UNICEF Brasil. Quanto tempo as crianças passam na escola? Brasília: UNICEF, 2019.
  7. Ferreira MH, Santos PL. Capacitação de professores para manejo de emergências crônicas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 7, 2021.