Probióticos entram na lista de aliados contra alergias infantis

Dermatite e rinite cresceram no Brasil. Veja o que especialistas recomendam sobre probióticos para bebês, gestantes e crianças.

Você já ouviu que bactérias boas podem ajudar a evitar alergias? Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar o que os médicos brasileiros pensam sobre os probióticos. Tudo em linguagem simples, para você cuidar melhor da sua família.

O que são probióticos?

Probióticos são bactérias vivas que fazem bem ao organismo. Eles funcionam como amigos do intestino: equilibram a flora intestinal e podem treinar o sistema de defesa do corpo.

Por que falar de alergia?

No Brasil, casos de dermatite atópica e rinite aumentaram nas últimas décadas. Bebês e crianças sofrem com coceira, espirros e vermelhidão. Por isso, famílias e médicos buscam estratégias de prevenção.

O que dizem os médicos brasileiros?

Quando usar

Especialistas recomendam iniciar em gestantes com histórico familiar de alergia a partir das últimas semanas da gravidez, em bebês nos primeiros meses de vida com risco aumentado e, em casos específicos, em prematuros internados em UTI neonatal.

Quais tipos de probióticos

Os mais citados são o Lactobacillus rhamnosus GG, estudado na prevenção da dermatite atópica; o Bifidobacterium breveM-16V, usado em combinação com fibras em prematuros; e o Lactobacillus casei Shirota, avaliado em protocolos de dessensibilização ao leite de vaca.

Posologia

A maioria dos protocolos sugere em torno de dez bilhões de unidades formadoras de colônias por dia, mas a dose exata depende do produto. O ideal é sempre seguir a prescrição médica.

Desafios do dia a dia

Entre as principais dificuldades estão o preço elevado, que limita o acesso em famílias atendidas pelo SUS, a necessidade de refrigeração em climas quentes e os rótulos que muitas vezes não informam claramente a cepa estudada.

O futuro: probióticos nacionais

Pesquisadores brasileiros já trabalham no isolamento de bactérias nativas que se adaptam melhor à nossa dieta. Startups também desenvolvem “postbióticos”, compostos produzidos pelas bactérias que podem reduzir riscos de infecção.

Perguntas frequentes

Todo bebê deve tomar probiótico?
Não. A recomendação é apenas para famílias com risco de alergia.

Probiótico é remédio?
No Brasil é classificado como alimento com função específica. Mesmo assim, precisa de orientação médica.

Iogurte comum funciona?
Nem sempre. Ele contém bactérias boas, mas nem sempre as mesmas cepas testadas em pesquisas sobre alergia.

Equívocos comuns

  • “Probiótico cura alergia.” Na realidade, é um apoio na prevenção e no controle.
  • “Quanto mais, melhor.” Doses altas podem causar desconforto e, em raros casos, problemas em pessoas com imunidade baixa.
  • “Todos os produtos são iguais.” Cada cepa age de forma diferente.

Dica do Clube da Saúde Infantil

Converse sempre com o pediatra antes de iniciar qualquer suplemento. Verifique no rótulo a cepa utilizada, a data de validade e mantenha o produto refrigerado.

Conclusão

Probióticos podem ser aliados importantes na prevenção de alergias, mas precisam ser escolhidos e usados com critério. Seguir a orientação médica, verificar a cepa certa e garantir o armazenamento adequado faz toda a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda as famílias a tomar boas decisões. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Anvisa. Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 2018.
  2. Brasil. Consenso Brasileiro sobre Alergia à Proteína do Leite de Vaca – 2023. Revista Paulista de Pediatria, v. 41, 2023.
  3. Fiocruz. Protocolo de suplementação de simbióticos em prematuros. Rio de Janeiro, 2022.
  4. Gonçalves, A.; Lima, R.; Barbosa, T. Revista de Biotecnologia Aplicada, v. 9, n. 2, 2022.
  5. HC-FMUSP. Diretrizes internas para uso de probióticos em gestantes e lactentes. São Paulo, 2021.
  6. IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde: doenças crônicas e alergias no Brasil. Rio de Janeiro, 2021.
  7. Pereira, G.; Santos, M. Revista de Nutrição, v. 33, 2020.
  8. SBP. Nota de alerta: uso de probióticos em pediatria. Rio de Janeiro, 2022.
  9. UFMG. Relatório técnico: isolamento de cepas autóctones com potencial antialérgico. Belo Horizonte, 2023.