Crescimento travado ou puberdade precoce? Veja os sinais de alerta nos hormônios
Descubra quais mudanças hormonais podem indicar problemas sérios na infância e veja por que o acompanhamento médico é essencial para garantir um crescimento saudável.

Os hormônios são como mensageiros especiais do nosso corpo. Eles dizem para cada parte do organismo o que fazer e quando fazer. Nas crianças, esses mensageiros são muito importantes para o crescimento e desenvolvimento.
Mas às vezes algo pode dar errado. Quando isso acontece, a criança pode precisar de tratamento especial. A boa notícia é que, quando descobrimos o problema cedo, podemos ajudar muito.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que conhecer esses problemas ajuda os pais a cuidar melhor dos filhos. Vamos entender juntos quais são os principais problemas hormonais que podem afetar as crianças.
O que são problemas hormonais em crianças?
Imagine os hormônios como pequenos trabalhadores dentro do corpo. Cada um tem um trabalho específico. Alguns cuidam do crescimento, outros da energia e alguns controlam quando a puberdade vai começar.
Quando esses trabalhadores não fazem seu trabalho direito, a criança pode ter problemas como:
- Crescer muito devagar ou muito rápido.
- Ter muita ou pouca energia.
- Começar a puberdade muito cedo ou muito tarde.
Problemas da tireoide: o motor do corpo
Hipotireoidismo congênito: problema desde o nascimento
A tireoide é como o motor do corpo. Ela controla a energia e ajuda no desenvolvimento do cérebro. Algumas crianças nascem com a tireoide que não funciona bem. Isso se chama hipotireoidismo congênito.
No Brasil, isso acontece com cerca de 1 bebê a cada 2.000 ou 3.000 nascimentos. Parece pouco, mas é um dos problemas hormonais mais comuns em crianças.
Por que é importante descobrir cedo? Quando o bebê nasce com esse problema e não recebe tratamento nas primeiras semanas, pode ter dificuldades para aprender e se desenvolver. Mas quando o tratamento começa cedo, a criança pode crescer normalmente.
Como descobrimos? O teste do pezinho, realizado em todos os bebês, ajuda a identificar o problema. Por isso é tão importante fazer esse exame.
Problemas de crescimento: quando a criança não cresce como esperado

Falta do hormônio do crescimento
Algumas crianças não produzem hormônio do crescimento suficiente. Isso acontece com cerca de 1 criança a cada 4.000 ou 10.000.
Sinais que os pais podem notar:
- A criança é muito mais baixa que outras da mesma idade.
- Cresce menos de 4 cm por ano após os 3 anos.
- Roupas e sapatos demoram muito para ficar pequenos.
Quando descobrimos esse problema, podemos dar o hormônio que está faltando por meio de injeções especiais. Muitas crianças conseguem alcançar uma altura normal com esse tratamento.
Puberdade precoce: quando as mudanças começam muito cedo
A puberdade é quando o corpo da criança começa a virar corpo de adulto. Normalmente, isso acontece:
- Nas meninas: entre 8 e 13 anos.
- Nos meninos: entre 9 e 14 anos.
Às vezes, essas mudanças começam muito cedo. No Brasil, isso afeta cerca de 1 criança a cada 5.000, sendo mais comum nas meninas.
Sinais de puberdade precoce:
- Nas meninas: desenvolvimento dos seios antes dos 8 anos.
- Nos meninos: aumento dos testículos antes dos 9 anos.
- Crescimento muito rápido.
- Mudanças no humor.
Como tratamos? Existem medicamentos que conseguem pausar a puberdade por um tempo. Isso ajuda a criança a crescer mais e se desenvolver no momento certo.
Diabetes tipo 1: quando o açúcar não entra nas células
O diabetes tipo 1 é diferente do tipo 2. Nesse caso, o próprio corpo ataca as células que produzem insulina. A insulina é como uma chave que abre a porta para o açúcar entrar nas células.
No Brasil, cerca de 7 a 8 crianças a cada 100.000 desenvolvem diabetes tipo 1 por ano.
Sinais importantes:
- Fazer muito xixi.
- Beber muita água.
- Perder peso sem motivo.
- Ficar muito cansado.
Como cuidamos? A criança precisa tomar insulina todos os dias, como se desse ao corpo a chave que ele perdeu. Com cuidado e acompanhamento médico, crianças com diabetes podem ter uma vida normal e feliz.
Hiperplasia adrenal congênita: um problema raro, mas sério
Esse é um problema mais raro, que acontece com cerca de 1 bebê a cada 15.000. As glândulas adrenais, que ficam acima dos rins, não funcionam direito.
Pode ser perigoso se não for tratado logo, mas quando descobrimos cedo conseguimos tratar bem.
A importância do diagnóstico precoce
A detecção precoce do hipotireoidismo congênito revolucionou o prognóstico neurológico dessas crianças, permitindo desenvolvimento normal quando o tratamento é iniciado nas primeiras semanas de vida. Esse princípio vale para todos os problemas hormonais: quanto mais cedo descobrimos, melhor conseguimos ajudar.
Exames importantes:
- Teste do pezinho (obrigatório para todos os bebês).
- Acompanhamento do crescimento no pediatra.
- Exames de sangue quando o médico indicar.
Quando procurar ajuda?
Procure um pediatra ou endocrinologista pediátrico se notar:
- Crescimento muito lento ou muito rápido.
- Sinais de puberdade precoce.
- Muita sede e urina frequente.
- Cansaço excessivo.
- Problemas de aprendizagem sem explicação.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, sempre lembramos: é melhor tirar uma dúvida à toa do que deixar passar um problema importante.
Conclusão

Os problemas hormonais em crianças podem parecer assustadores, mas a ciência já sabe como tratar a maioria deles. O segredo está em descobrir cedo e iniciar o tratamento na hora certa.
Os pais têm papel fundamental: observar o desenvolvimento dos filhos e manter as consultas médicas em dia. O teste do pezinho e o acompanhamento regular com o pediatra são as melhores formas de proteger os pequenos.
Lembre-se: cada criança é única e se desenvolve no seu próprio tempo. Mas quando algo não está indo bem, a medicina pode ajudar muito.
Crescer com saúde é mais legal. E com o conhecimento certo e cuidados adequados, todas as crianças podem ter a chance de um desenvolvimento saudável e feliz.
Referências
- Maciel LMZ, et al. Rev Bras Ginecol Obstet. 2019;41(11):246-51.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Diretrizes em Endocrinologia Pediátrica. 2021.
- Damiani D, et al. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2018;62(5):452-61.
- Brito VN, et al. J Pediatr (Rio J). 2020;96(5):583-91.
- Gomes MB, et al. Diabetol Metab Syndr. 2017;9:12.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes SBD 2021-2022.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Hiperplasia Adrenal Congênita. 2020.