Cada minuto conta: programas escolares que salvam crianças da anafilaxia
Aprenda como protocolos bem definidos permitem respostas ágeis e proteção em emergências

Você sabia que uma reação alérgica grave, a anafilaxia, pode evoluir em poucos minutos? A boa notícia é que escolas brasileiras mostram que, com organização e treinamento, é possível salvar vidas. O Clube da Saúde Infantil apresenta três histórias reais e passos simples para proteger crianças.
O que é anafilaxia?
Anafilaxia é uma alergia muito forte que pode fechar a garganta, baixar a pressão e causar desmaio. Sem cuidado rápido, é perigosa. O remédio que salva é a epinefrina, aplicada com autoinjetor, parecido com uma caneta grande.
Por que agir na escola?
- Muitas crianças passam metade do dia na escola.
- No Brasil, cerca de 6% dos alunos têm alguma alergia alimentar.
- Agir rápido, em menos de 5 minutos, evita internações e salva vidas.
Três exemplos que funcionaram
1. Colégio Horizontes (MG)
- Atualizou fichas de saúde: 6,4% de alunos alérgicos.
- Criou selos de cor na cantina: verde (livre), amarelo (traço), vermelho (contém alérgeno).
- Treinou 100% dos funcionários a cada semestre.
- Resultado: duas reações moderadas tratadas em 3 minutos, sem hospital.
2. Rede Municipal de Florianópolis (SC)
- Lei local obriga autoinjetor de epinefrina em todas as escolas.
- Curso online de 4 horas para professores + oficina prática anual.
- Compra centralizada reduziu custo em 37%.
- Tempo entre sintomas e remédio caiu de 11 para 6,4 minutos. Nenhum óbito.
3. Escola Itinerante Ribeirinha (PA)

- Aulas em barco no Baixo Amazonas.
- Vídeos curtos no celular ensinam a equipe.
- Kit de emergência em caixa térmica com gelo reciclável.
- “Anjo da guarda”: colega ajuda a procurar o kit.
- Três anafilaxias tratadas a bordo, todas em menos de 5 minutos.
O que aprendemos?
- Liderança faz diferença: direção precisa apoiar.
- Treino contínuo mantém todos prontos.
- Registrar cada caso ajuda a melhorar.
- Aluno também participa: menos medo, mais cuidado.
- Solução simples cabe em qualquer lugar, da cidade ao rio.
Como sua escola pode começar hoje
- Fazer cadastro de saúde dos alunos.
- Comprar pelo menos um autoinjetor de epinefrina e guardar em local visível.
- Treinar professores e funcionários com vídeos curtos e simulações.
- Usar etiquetas de cor na merenda para mostrar ingredientes.
- Criar plano de ação individual para cada criança alérgica.
Perguntas frequentes
- A epinefrina é perigosa? Não. É segura e reverte a anafilaxia rapidamente.
- Preciso de médico para aplicar? O autoinjetor foi feito para leigos, basta apertar na coxa, mesmo sobre a roupa.
- Como conservar o remédio em lugar quente? Use caixa térmica simples e verifique a validade todo mês.
Conclusão

As histórias de Minas, Santa Catarina e Pará mostram que tamanho ou localização não importam: com organização, informação e cuidado, toda escola pode proteger seus alunos. Prevenir anafilaxia é fácil, barato e salva vidas. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- COLÉGIO HORIZONTES. Relatório de saúde escolar 2018. Belo Horizonte: Colégio Horizontes; 2019.
- PIRES, M.; ALMEIDA, L. Avaliação de programa de prevenção de anafilaxia em escola privada. Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia, v. 43, n. 2, p. 102-109, 2020.
- FLORIANÓPOLIS. Lei n.º 10.531, de 29 de abril de 2021. Diário Oficial de Florianópolis, 30 abr. 2021.
- SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO (Florianópolis). Relatório de aquisição de auto-injetores – exercício 2021. Florianópolis: SME; 2022.
- CRUZ, J. et al. Impacto da legislação municipal sobre anafilaxia escolar. Jornal de Pediatria (Rio J.), v. 99, n. 1, p. 34-41, 2023.
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Projeto Saúde Fluvial: manejo de alergias em escolas ribeirinhas. Belém: UFPA; 2022.
- SANTOS, R.; COSTA, F. Análise de custo-efetividade de programas de prevenção de anafilaxia em escolas brasileiras. Cadernos de Saúde Pública, v. 38, n. 8, p. e00123421, 2022.