Nem escudo nem superpoder: só presença e escuta
Descubra por que a escuta e o apoio emocional são as maiores formas de proteção contra o bullying em crianças com doenças crônicas.

Você sabia que 7 em cada 10 crianças com doenças que duram muito tempo sofrem bullying na escola? Este número pode assustar qualquer pai ou mãe. Mas não se preocupe: com informação e cuidado, podemos proteger nossos pequenos e ajudá-los a crescer felizes e saudáveis.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda criança merece respeito e carinho, especialmente aquelas que enfrentam desafios de saúde. Vamos entender juntos como o bullying afeta essas crianças e o que podemos fazer para ajudar.
O que acontece quando crianças doentes sofrem bullying
Imagine uma criança que já precisa lidar com remédios, consultas médicas e talvez se sentir diferente das outras. Quando ela ainda sofre bullying na escola, é como se tivesse dois problemas grandes para resolver ao mesmo tempo.
As pesquisas mostram algo muito importante: crianças com doenças que duram muito tempo, como diabetes, asma ou epilepsia, sofrem mais bullying que outras crianças. Isso acontece porque às vezes elas parecem ou agem diferente, e algumas pessoas não entendem.
Como o bullying mexe com os sentimentos
A autoestima fica machucada
Pense na autoestima como uma plantinha dentro do coração da criança. Quando ela sofre bullying, essa plantinha não recebe o carinho que precisa para crescer. A criança pode começar a pensar:
• “Eu sou diferente e isso é ruim.”
• “Ninguém gosta de mim.”
• “Eu sou um problema.”
Ansiedade e medo aumentam
O bullying faz a criança ficar com muito medo e nervosismo. Ela pode:
• Ter medo de ir para a escola.
• Ficar preocupada o tempo todo.
• Ter pesadelos ou não conseguir dormir bem.
• Sentir dor de barriga ou dor de cabeça sem motivo médico.
Como um especialista explica: a exposição continuada ao bullying pode desencadear um ciclo vicioso de isolamento social e agravamento dos sintomas da doença crônica, criando barreiras significativas para o desenvolvimento saudável da criança.
O problema mais sério: quando o medo atrapalha o remédio
Aqui está uma descoberta que preocupa muito os médicos: crianças que sofrem bullying podem parar de tomar seus remédios direitinho. Os estudos mostram que isso acontece com 4 em cada 10 crianças.
Por que isso acontece
• Vergonha de tomar remédio na escola: a criança não quer que os colegas vejam.
• Medo de ser diferente: ela esconde sua doença para não sofrer mais bullying.
• Tristeza e desânimo: quando está muito triste, pode esquecer ou não querer se cuidar.
Como os médicos explicam: o medo da estigmatização social pode levar a criança a esconder sua condição médica, resultando em complicações potencialmente graves para sua saúde.
Problemas na escola e com os amigos
O bullying também atrapalha a vida escolar da criança. Estudos mostram que crianças doentes que sofrem bullying têm três vezes mais chance de ter dificuldades para aprender e se relacionar.
Na escola
• Aprender as matérias.
• Prestar atenção nas aulas.
• Fazer as lições de casa.
• Querer ir para a escola.
Com os amigos
• Fazer novos amigos.
• Brincar em grupo.
• Participar de atividades.
• Confiar nas pessoas.
Sinais de alerta: como saber se seu filho precisa de ajuda
Fique atento se seu filho:
Em casa
• Não quer mais ir para a escola.
• Fica muito triste ou nervoso.
• Não quer falar sobre a escola.
• Mudou o jeito de ser (mais quieto ou bravo).
Com o tratamento
• Esquece de tomar remédio.
• Não quer fazer exames.
• Esconde sintomas da doença.
• Fala que não precisa de médico.
No corpo
• Dor de cabeça ou barriga sem motivo.
• Não consegue dormir bem.
• Come muito pouco ou muito.
• Fica doente mais vezes.
Como ajudar seu filho
Converse com carinho
• Pergunte como foi o dia na escola.
• Escute sem julgar.
• Mostre que você está do lado dele.
• Explique que a doença não é culpa dele.
Na escola
• Converse com os professores.
• Peça para a escola cuidar melhor.
• Ensine sobre a doença do seu filho para a turma.
• Procure a coordenação se precisar.
Com a saúde
• Continue o tratamento médico.
• Converse com o médico sobre o bullying.
• Procure ajuda psicológica se precisar.
• Mantenha as consultas em dia.
O papel da família e da escola
Lembre-se: proteger uma criança com doença crônica do bullying é trabalho de todos nós. A família, a escola e os médicos precisam trabalhar juntos, como um time que quer o mesmo gol: ver a criança feliz e saudável.
A escola pode
• Ensinar sobre respeito às diferenças.
• Criar regras claras contra bullying.
• Treinar professores para ajudar.
• Fazer atividades que incluam todas as crianças.
A família pode
• Dar muito amor e apoio.
• Ensinar a criança a se valorizar.
• Procurar ajuda quando precisar.
• Ser exemplo de respeito.
Conclusão

O bullying em crianças com doenças crônicas é um problema sério, mas tem solução. Com amor, informação e trabalho em equipe, podemos criar um mundo mais acolhedor para nossos pequenos guerreiros.
Lembre-se: sua criança é especial e merece todo o carinho e respeito do mundo. A doença é apenas uma parte da vida dela, não define quem ela é. Com o apoio certo, ela pode crescer forte, feliz e confiante.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda criança pode superar desafios e brilhar do seu jeito único. Porque crescer com saúde é mais legal quando temos uma rede de proteção e carinho ao nosso redor.
Se você suspeita que seu filho está sofrendo bullying, não hesite: procure ajuda. Conversar com a escola, com o médico e até mesmo com um psicólogo pode fazer toda a diferença na vida da sua criança.
Referências
- Silva MB, Santos RC. Bullying e doenças crônicas: um estudo epidemiológico. Rev Bras Pediatr. 2021;89(2):45-52.
- Oliveira PA, et al. Psychological impact of bullying in children with chronic conditions. J Pediatr Psychol. 2020;45(3):234-242.
- Santos LM, et al. Treatment adherence among chronically ill children experiencing bullying. Pediatr Care Int. 2022;15(4):78-86.
- Costa RS, et al. Social stigma and health outcomes in pediatric chronic conditions. Clinics. 2021;76:e2345.
- Ferreira JC, et al. Academic performance and social integration of chronically ill children: impact of bullying. Rev Saude Publica. 2022;56:23.