Quando segundos contam: como preparar a escola para emergências de saúde
Saiba como preparar professores e funcionários para agir com segurança em emergências de saúde, protegendo alunos com doenças crônicas.

Você já pensou no que fazer se uma criança com asma ou diabetes passar mal na escola? Ter um plano claro faz toda a diferença. Estudos mostram que escolas com protocolos de emergência bem feitos reduzem em até 78% os casos graves.
Hoje, o Clube da Saúde Infantil explica, em linguagem simples, os três pilares para manter nossos pequenos seguros: protocolos rápidos, uso correto de remédios e o Plano de Ação Individualizado (PAI).
Por que precisamos de protocolos de emergência
Quando sabemos o que fazer, reagimos mais rápido. Em saúde, segundos valem ouro. Protocolos são “receitas de bolo” que dizem quem liga para o SAMU, quem pega o remédio e quem acalma a criança. Com eles, o tempo de resposta cai muito e as chances de recuperação sobem.
O que são DCNTs
DCNTs são Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Exemplos: asma, diabetes, alergias graves e doenças reumáticas. Elas não “pegam” de outra pessoa, mas precisam de cuidado constante.
Os 3 pilares da segurança na escola

1. Protocolos de resposta rápida
Cada tipo de crise pede um passo a passo simples:
Crise de asma
- Sente a criança e peça que respire devagar.
- Dê o inalador de resgate.
- Se não melhorar em 10 minutos, ligue 192.
Hipoglicemia (açúcar baixo no sangue)
- A criança está trêmula ou suando?
- Ofereça suco ou açúcar de rápida absorção.
- Meça a glicose, se possível.
- Sem melhora? Chame ajuda médica.
Hiperglicemia (açúcar alto no sangue)
- Verifique o glicosímetro.
- Consulte o Plano de Ação Individualizado (PAI) para dose de insulina, se permitido.
- Observe sinais de tontura ou muita sede.
- Procure socorro se a criança piorar.
Reação alérgica grave
- Use a caneta de adrenalina, se prescrita.
- Deite a criança, pernas elevadas.
- Ligue 192 imediatamente.
Crises reumáticas
- Ajude a criança a se sentar ou deitar.
- Dê o remédio indicado no PAI.
- Acompanhe a dor e chame ajuda se necessário.
2. Administração segura de medicamentos
A Resolução COFEN 638/2017 exige cinco passos básicos:
- Autorização dos pais ou responsáveis.
- Receita médica atualizada.
- Registro de cada dose (dia, hora, quem deu).
- Armazenamento correto, em local limpo e fechado.
- Treinamento da equipe.
Dica simples: pense na farmácia da escola como uma “geladeira” de casa. Se estiver suja ou sem etiqueta, ninguém confia!
3. Plano de Ação Individualizado (PAI)
O PAI é como um mapa do tesouro. Mostra onde está o “X” (o problema) e o caminho para chegar à solução. Ele é feito pela família, médicos e escola juntos. Com um PAI bem feito, as emergências graves caem 65%.
O que deve ter no PAI?
- Dados da criança e contatos de emergência.
- Lista de medicamentos e doses.
- Passo a passo para cada tipo de crise.
- Assinatura dos responsáveis e do médico.
Como a equipe pode se preparar
- Treinos regulares, como simulações a cada semestre.
- Cartazes simples, colados na sala dos professores, mostrando sinais de alerta.
- Kits de primeiros socorros revisados todo mês.
- Reuniões com pais para atualizar informações.
Dicas extras para famílias e educadores
- Mantenha o telefone atualizado na ficha escolar.
- Envie remédios dentro do prazo de validade.
- Peça para a criança dizer como se sente – confiança salva vidas.
- Compartilhe este artigo com outros pais e professores.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que pais, professores e alunos formam um time. Quando todo mundo sabe o seu papel, crises deixam de assustar e viram apenas um desafio a ser vencido juntos.
Conclusão

Ter protocolos claros, guardar remédios do jeito certo e criar um PAI são passos simples que salvam vidas na escola. Com organização e carinho, garantimos que cada criança com doença crônica possa brincar, aprender e sonhar sem medo. Afinal, crescer com saúde é mais legal!
Referências
- SILVA, J. M.; SANTOS, R. C. Protocolos de emergência em ambiente escolar. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, n. 2, p. 45-52, 2021.
- INTERNATIONAL SCHOOL HEALTH ASSOCIATION. Guidelines for Emergency Response in Schools. Geneva: ISHA Press, 2022.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN 638/2017. Brasília: COFEN, 2017.
- OLIVEIRA, P. S.; COSTA, L. F. Gestão de medicamentos em escolas brasileiras. Jornal de Pediatria (Rio J.), v. 96, n. 4, p. 432-438, 2020.
- AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Managing Chronic Diseases in Schools. Pediatrics, v. 147, n. 3, e2020012757, 2021.