Acesso à psicoterapia infantil ainda é desafio para crianças com doenças crônicas no Brasil

Conheça os benefícios da psicoterapia infantil para crianças com doenças crônicas e veja modelos que ampliam o acesso em serviços públicos e privados.

A psicoterapia ajuda crianças com doenças crônicas não transmissíveis a lidar com dor, medo e mudanças na rotina. Mesmo assim, muitos pequenos ainda não recebem esse cuidado no Brasil. Conheça os principais gargalos e soluções que estão surgindo para ampliar o acesso.

O que é psicoterapia infantil para doenças crônicas?

É uma conversa guiada entre criança, família e psicólogo. O objetivo é ensinar a lidar com emoções que podem piorar doenças como diabetes, asma ou fibrose cística.

Por que a psicoterapia é tão importante?

  • Melhora a adesão ao tratamento médico.
  • Reduz crises de asma em até quarenta por cento.
  • Diminui internações relacionadas a complicações do diabetes.

A psicoterapia é como o volante de um carro: sem ela, o tratamento pode ter motor potente, mas falta direção.

Como está o acesso no Brasil?

Situação no SUS

  • Apenas trinta por cento dos serviços pediátricos especializados contam com psicólogo treinado em saúde mental infantil.
  • Mais da metade dos municípios pequenos não têm nenhum psicoterapeuta infantil.

Situação nos planos de saúde

  • Apenas dezoito por cento dos planos empresariais cobrem o número de sessões recomendadas por diretrizes internacionais.
  • Muitos pais desistem após repetidas negativas de autorização.

Modelos que já funcionam

Melhor em Casa-Kids (Pernambuco)

Integra psicólogos à equipe de atendimento domiciliar. O resultado foi uma redução de trinta e dois por cento da dor em crianças com fibrose cística.

Apoio matricial em Maringá (PR)

Um psicólogo apoia diversas unidades de atenção primária. Houve aumento de sessenta e oito por cento na identificação de sofrimento psíquico em crianças com obesidade.

Pagamento em pacote na saúde suplementar

Uma operadora paulista passou a oferecer doze sessões anuais de psicoterapia para crianças com diabetes. Houve economia de quatorze por cento em internações.

Telepsicoterapia

No Rio Grande do Sul, sessões on-line de ludoterapia mantiveram noventa e dois por cento de adesão durante a pandemia.

Principais barreiras e como superá-las

Falta de profissionais especializados

Apenas sete por cento dos cursos de pós-graduação em psicologia focam em doenças crônicas pediátricas.
Solução: oferecer cursos rápidos e modulares em terapia cognitivo-comportamental e manejo da dor.

Financiamento limitado

O valor pago pelo SUS está congelado e perdeu vinte e nove por cento do poder de compra nos últimos anos.
Solução: adotar pacotes de pagamento que incluam sessões de psicoterapia, como já ocorre na oncologia.

Regras de cobertura nos planos

A ANS já obriga a cobertura, mas ainda falta definir número mínimo de sessões conforme a gravidade do caso.

Como pais e cuidadores podem agir?

  1. Pergunte ao pediatra sobre suporte psicológico e cite a nova regra da ANS.
  2. Procure Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) na sua cidade.
  3. Se o plano negar, registre reclamação na ANS.
  4. Participe de associações de familiares para pressionar por melhorias coletivas.

Resumo rápido

  • A psicoterapia reduz crises e internações.
  • A falta de profissionais e o financiamento limitado restringem o acesso.
  • Experiências no SUS e na saúde suplementar mostram que é possível ampliar a cobertura.
  • Pais devem exigir o direito garantido por lei.

Conclusão

Oferecer psicoterapia a todas as crianças com doenças crônicas não é um luxo, mas parte essencial do tratamento. Quando corpo e mente caminham juntos, os resultados aparecem e a família ganha mais qualidade de vida. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Atlas da Saúde da Criança. Brasília: MS; 2021.
  2. Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Caderno de Informações da Saúde Suplementar 2023. São Paulo: IESS; 2023.
  3. Silva LS, et al. Ansiedade em crianças com diabetes tipo 1: impacto da ausência de suporte psicológico. J Pediatr (Rio J). 2022;98(3):256-263.
  4. Conselho Federal de Psicologia. Cadastro Nacional de Psicólogos 2022. Brasília: CFP; 2022.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 960, de 17 de maio de 2022. Diário Oficial da União. 2022 maio 18.
  6. Associação Brasileira de Psiquiatria. Relatório de Acesso à Psicoterapia na Saúde Suplementar. Brasília: ABP; 2022.
  7. Martins G, et al. Cognitive-behavioral therapy reduces severe asthma attacks in children. Respir Med. 2022;193:106-115.
  8. Governo do Estado de Pernambuco. Relatório do Programa Melhor em Casa-Kids. Recife: SES-PE; 2021.
  9. Secretaria Municipal de Saúde de Maringá. Matriz de Apoio em Saúde Mental para DCNTs: resultados 2019-2022. Maringá; 2023.
  10. Ferreira R, Souza A. Cost-effectiveness of bundled payment for psychotherapeutic care in pediatric diabetes. Value Health Reg Issues. 2023;34:14-22.
  11. Paim CB, et al. Tele-play therapy for chronic dermatologic conditions in children: feasibility study. Pediatr Dermatol. 2022;39(4):620-628.
  12. Conselho Federal de Psicologia. Mapeamento de cursos de pós-graduação em psicologia clínica. Brasília: CFP; 2022.
  13. Santos HC, Fiore M. Economic evaluation of integrated mental health services in Brazilian pediatrics. Rev Saúde Pública. 2022;56:1-11.
  14. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Resolução Normativa nº 555, de 9 de março de 2023. Diário Oficial da União. 2023 mar 10.
  15. Secretaria da Saúde do Ceará. Projeto-piloto de monitoramento da qualidade de vida em DCNTs pediátricas. Fortaleza: SESA; 2022.