O marketing nas telas: o guia essencial para pais sobre a publicidade de alimentos on-line
Conheça como a publicidade de alimentos atinge os pequenos no ambiente digital, o que diz a lei brasileira e como proteger sua família de conteúdos patrocinados disfarçados.

Você já viu um vídeo fofo de criança provando um lanche novo? Parece inofensivo, mas pode ser propaganda escondida. Aqui no Clube da Saúde Infantil explicamos, de forma simples, como a legislação tenta proteger as crianças e o que as famílias podem fazer no dia a dia.
Por que falar de propaganda para crianças?
As crianças ainda não conseguem diferenciar “anúncio” de “dica”. Por isso, podem pedir produtos menos saudáveis só porque viram seus influenciadores favoritos comendo nas redes sociais. Esse tipo de publicidade é poderoso — e muitas vezes invisível.
O que diz a lei brasileira hoje?
- O Código de Defesa do Consumidor proíbe qualquer tipo de publicidade enganosa.
- As resoluções do CONANDA protegem a infância em todas as mídias e orientam boas práticas de comunicação.
Essas normas valem tanto para rádio e TV quanto para redes sociais e vídeos curtos.
O desafio das redes sociais
A internet muda rápido, e a lei nem sempre acompanha. Em muitos conteúdos de comida para crianças, a publicidade aparece sem aviso. A maior parte das postagens com patrocínio não deixa claro que se trata de anúncio. Isso dificulta que pais e crianças reconheçam quando há interesse comercial.
Influenciadores digitais: parceiros ou problema?

Muitos vídeos e fotos sobre alimentação infantil são fruto de parcerias comerciais. Porém, apenas parte dos influenciadores sinaliza esses acordos. É como um jogo de esconde-esconde: a propaganda fica camuflada, e a família corre o risco de confiar em algo que não foi explicado com transparência.
Ferramentas de transparência ainda falham
As plataformas criaram selos como “Conteúdo pago”, mas eles não são usados de forma consistente. Alguns criadores ignoram, outros sinalizam de maneira discreta, dificultando a identificação.
O que podemos aprender lá fora?
Na União Europeia, influenciadores com público jovem têm regras mais rígidas. Existem mecanismos para rastrear automaticamente anúncios disfarçados e punir quem não sinaliza patrocínios. O Brasil discute caminhos semelhantes, buscando maior clareza e proteção para crianças e adolescentes.
Dicas rápidas para proteger seu filho
- Mostre como reconhecer publicidade: ensine o significado de hashtags como #publi, #ad ou “parceria paga”.
- Acompanhe os perfis que a criança segue: assim como acompanhar o boletim escolar, isso ajuda a entender influências do dia a dia.
- Explique que nem tudo na tela é verdade: compare com histórias de fantasia para facilitar a compreensão.
- Prefira criadores transparentes: valorize canais que informam claramente quando há patrocínio.
Informação clara é o primeiro passo para escolhas saudáveis.
Conclusão

A publicidade de alimentos infantis continua existindo — agora, cada vez mais no digital. Conhecer as regras, conversar em casa e aprender a identificar anúncios disfarçados ajudam a proteger o prato das crianças. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Silva, M. R.; Santos, A. B. Regulamentação da publicidade infantil no ambiente digital. Revista de Direito do Consumidor, v. 45, n. 2, p. 78-95, 2022.
- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Relatório sobre Marketing Digital Infantil. São Paulo: IDEC, 2023.
- Pereira, L. M.; Costa, R. S. Influenciadores digitais e publicidade infantil: análise de conformidade legal. Journal Marketing Digital, v. 12, n. 3, p. 145-162, 2023.
- European Commission. Digital Marketing to Children: Regulatory Framework and Implementation Guidelines. Brussels: EC, 2023.