Publicidade infantil em debate: riscos à saúde e novas regras de proteção
Descubra como a publicidade infantil afeta a saúde das crianças e veja exemplos de leis e soluções que ajudam famílias e escolas a agir no dia a dia.

Você já reparou quantos anúncios coloridos chamam a atenção dos pequenos? Eles parecem inocentes, mas podem influenciar o que as crianças comem e como se comportam. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara ajuda famílias e educadores a cuidar melhor dos nossos pequenos. Vamos explicar, de forma simples, como a publicidade infantil funciona, quais são as regras no Brasil e no mundo e o que podemos fazer para garantir que crescer com saúde seja mais legal.
O que é publicidade infantil
Publicidade infantil é qualquer anúncio feito para chamar a atenção de quem tem menos de 12 anos. Pode estar na TV, no celular, em jogos ou até em embalagens de comida.
Como a lei brasileira protege as crianças
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
O ECA garante prioridade total à saúde e ao bem-estar das crianças.
Resolução 163/2014 do Conanda
- Proíbe usar linguagem infantil, desenhos de personagens, músicas divertidas e brindes para vender produtos não saudáveis.
- Falta fiscalização forte: entre 2014 e 2022, menos de 30 processos foram abertos.
Exemplos de outros países
Suécia: proibição total na TV
Desde 1991, não há anúncios voltados a menores de 12 anos na TV aberta.
Reino Unido: horário controlado
Anúncios de produtos ricos em açúcar, gordura ou sal só podem ser exibidos quando menos de 25% do público é infantil. Houve queda de 37% na exposição após a medida.
Chile: selo e aviso frontal
- Produtos com muito açúcar, gordura ou sódio recebem selo preto em forma de octógono.
- Esses produtos não podem ser anunciados para menores de 14 anos nem vendidos em escolas.
- No primeiro ano, houve redução de 22% nos anúncios de bebidas açucaradas para crianças.
Desafios no mundo digital
- Anúncios escondidos em vídeos de unboxing e em jogos.
- Algoritmos enviam propaganda direta para cada criança, sem que os pais percebam.
- Plataformas como YouTube e TikTok escapam de leis locais, pois muitos criadores estão em outros países.
Caminhos para o Brasil avançar
- Criar um perfil nutricional claro para definir o que é ou não saudável.
- Atualizar as leis para incluir influenciadores, jogos e anúncios pagos nas redes sociais.
- Montar um observatório digital, com dados abertos e monitoramento em tempo real.
Como famílias e escolas podem ajudar
- Converse com a criança sobre propaganda, explicando que o objetivo é fazê-la querer o produto.
- Use aplicativos ou controles parentais para limitar anúncios.
- Prefira lanches naturais em vez de produtos ultraprocessados.
- Participe de audiências públicas e apoie petições que defendem leis mais fortes.
Conclusão

A experiência de vários países mostra que regras claras, fiscalização forte e atenção ao mundo digital reduzem a exposição das crianças à publicidade de alimentos não saudáveis. No Brasil, ainda temos muito a fazer, mas cada passo conta. Compartilhe este texto, converse com sua comunidade e lembre-se: crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Resolução nº 163, de 13 de março de 2014. Diário Oficial da União. 2014.
- OFCom. HFSS advertising restrictions: final review. London: Office of Communications; 2010.
- Organização Mundial da Saúde. Tackling food marketing to children in a digital world: trans-disciplinary perspectives. Geneva: WHO; 2016.
- Reino Unido. Parliament. Health and Care Act 2022: schedule 18—Food and drink (advertising and promotion). London; 2022.
- Taillie LS, et al. An evaluation of Chile’s law on food labelling and advertising on sugar-sweetened beverage purchases. PLOS Medicine. 2020;17(2):e1003015.
- UNICEF; IDEC. Publicidade de alimentos e bebidas para crianças no Brasil: panorama e recomendações. São Paulo: UNICEF Brasil; 2021.