Prevenir antes de nascer: a nova fronteira da saúde infantil

Descubra como a saúde infantil começa a ser protegida ainda na gestação e por que medir, acompanhar e orientar cedo muda o futuro das crianças.

Você sabia que a proteção contra pressão alta, diabetes e obesidade começa ainda na barriga da mãe? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal. Neste texto, mostramos como o Brasil já tem regras para cuidar das crianças e o que falta para funcionar de verdade. Vamos juntos entender?

Por que começar tão cedo

Doenças crônicas não transmissíveis — como pressão alta e diabetes — aparecem na vida adulta, mas muitas vezes ganham força na infância. Prevenir cedo custa pouco; tratar tarde custa caro.

O que dizem as regras do Brasil

PNAISC: cuidado desde o útero

Desde 2015, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança determina o acompanhamento de peso, altura, perímetro da cabeça e outros sinais desde o nascimento.

Planos e metas atuais

O Plano 2021–2030 para doenças crônicas reforça a importância de medir pressão, IMC e histórico familiar em todas as consultas pediátricas.

Onde está o problema

  • Apenas 62% dos municípios medem corretamente o perímetro da cabeça e comprimento ao nascer.
  • Menos de 28% das consultas de rotina em crianças de 3 a 9 anos incluem a medição da pressão arterial.
  • O financiamento ainda é baixo: em 2018, só R$ 1,50 por pessoa foi destinado à vigilância de crescimento e desenvolvimento.

Resultado: boas regras no papel, pouca ação no dia a dia.

Exemplos que dão certo

Paraná: saúde vai à escola

O Programa Saúde na Escola mede pressão e IMC em 93% das escolas estaduais e já reduziu internações por crises asmáticas em 17%. A integração entre saúde e educação faz toda a diferença.

Alagoas: união da UBS com equipe ampliada

A parceria entre postos de saúde e equipes multiprofissionais identificou colesterol alto em 14% das crianças e iniciou acompanhamento precoce com dieta e orientação familiar.

O futuro da prevenção

1. Pagar pelo cuidado

Uma proposta federal prevê remuneração extra às equipes que registrarem pressão, IMC e histórico familiar em todas as consultas — valorizando quem faz prevenção de verdade.

2. Tecnologia amiga

O aplicativo e-Growth avisa o pediatra quando algum indicador sai do padrão. Em Santa Catarina, o retorno on-line para crianças com colesterol alto reduziu em 40% os deslocamentos.

3. Ambiente saudável

Está em debate no Congresso um imposto sobre bebidas açucaradas que pode reduzir 6,7% dos casos de obesidade em 10 anos. Há também propostas para diminuir ultraprocessados na merenda escolar.

Como os pais podem ajudar agora

  • Leve a criança às consultas de rotina e peça para medir pressão e IMC.
  • Anote os números no caderninho ou no aplicativo do posto.
  • Converse com a escola sobre projetos de saúde.

Resumo rápido

Quando municípios, escolas, governo e famílias trabalham juntos, o resultado aparece. Canadá e Finlândia já reduziram em 30% a hipertensão juvenil com ações integradas. O Brasil tem tudo para repetir esse sucesso.

Conclusão

Investir em prevenção infantil é garantir um futuro sem doenças que pesam no bolso e no coração das famílias. Com vontade política, dinheiro bem usado e tecnologia simples, podemos ter uma geração livre de doenças crônicas.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança: orientações para implementação. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil 2021–2030. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC: banco de dados 2022.Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
  4. DATASUS. Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica – SISAB: indicadores de acompanhamento 2023. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
  5. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Financiamento federal da atenção primária em saúde: série histórica e desafios. Brasília: IPEA, 2021.
  6. Paraná. Secretaria de Estado da Saúde. Relatório Anual do Programa Saúde do Escolar 2022. Curitiba: SESA, 2023.
  7. Alagoas. Secretaria de Estado da Saúde. Protocolo Integrado de Rastreamento de DCNTs Pediátricas. Maceió: SESAU, 2022.
  8. World Bank. The cost of inaction on noncommunicable diseases in low- and middle-income countries. Washington: World Bank, 2022.
  9. Organização Pan-Americana da Saúde. Health in the Americas+. Washington: OPAS, 2022.
  10. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Proposta de novos indicadores para financiamento da APS. Brasília: CONASS, 2023.
  11. São Paulo. Secretaria Municipal da Saúde. Relatório de avaliação do aplicativo e-Growth. São Paulo: SMS, 2023.
  12. Santa Catarina. Secretaria de Estado da Saúde. Teleconsulta em endocrinologia pediátrica: resultados preliminares.Florianópolis: SES, 2022.
  13. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Impacto fiscal e sanitário do imposto sobre bebidas adoçadas no Brasil. Brasília: IPEA, 2023.
  14. Public Health Agency of Canada. Tackling childhood hypertension: two decades of progress. Ottawa: PHAC, 2022.
  15. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de promoção da saúde e prevenção de riscos na infância e adolescência.2. ed. Rio de Janeiro: SBP, 2021.