Crescer com saúde: como funciona a recuperação nutricional infantil

Conheça os passos da recuperação nutricional, entenda como a alimentação adequada apoia o crescimento e aprenda cuidados que fortalecem a saúde infantil.

Você acha que seu filho não está crescendo como os colegas? Calma! A boa notícia é que, com a comida certa e no momento certo, é possível “correr atrás” do crescimento perdido. Neste artigo do Clube da Saúde Infantil, vamos explicar de forma bem simples como funciona a recuperação nutricional, ou catch-up growth. Vamos juntos cuidar para que crescer com saúde seja mais legal!

Por que algumas crianças não crescem como esperado?

Quando o corpo não recebe nutrientes em quantidade e qualidade ideais, ele segura o crescimento para economizar energia. Isso pode acontecer por falta de comida, doenças ou rotinas alimentares pobres. O nome técnico é déficit estatural.

Como funciona a recuperação nutricional?

Para o corpo acelerar de novo, precisamos de um plano em três fases, testado por cientistas e usado em hospitais do mundo todo (1–3).

Fase 1 – estabilização (primeira semana)

  • Dieta calma, mas já 20% mais calórica que a normal.
  • Meta: preparar o estômago e evitar novos problemas.

Fase 2 – recuperação intensiva (4 a 6 semanas)

  • A energia sobe para 30% acima do comum.
  • Proteína: 3 a 4 g por quilo da criança ao dia.
  • Resultado: corpo cresce mais rápido, como uma mola que volta ao lugar.

Fase 3 – manutenção (após a recuperação)

  • Mantemos bons hábitos para não perder o ganho.
  • Família continua acompanhando no posto de saúde.

O prato ideal para crescer mais rápido

Pesquisadores descobriram a mistura perfeita de nutrientes:

  • 55 a 60% do prato em carboidratos (arroz, mandioca, pães integrais).
  • 25 a 30% em gorduras boas (azeite, abacate, óleo de soja).
  • 12 a 15% em proteínas de alto valor biológico (feijão com arroz, ovos, leite, carne magra).

Dica prática: imagine o prato dividido em quatro partes — duas de arroz ou massas, uma de feijão ou carne e uma de legumes coloridos.

Dicas simples para o dia a dia

  • Use alimentos locais, como feijão-fradinho e farinha de mandioca; são baratos e nutritivos.
  • Cozinhe no vapor para não perder vitaminas.
  • Bata frutas com leite em vitamina para dar energia extra.
  • Anote peso e altura a cada mês para ver se a criança está avançando.

Mitos e verdades sobre ganhar altura

Mito: “Suplemento caro faz milagres.”
Verdade: comida comum, bem planejada, faz a maior parte do trabalho.

Mito: “Só proteína basta.”
Verdade: o corpo precisa também de carboidratos e gorduras para usar a proteína certo.

Quando procurar ajuda?

Se mesmo com boa alimentação seu filho não ganhar peso ou altura, procure o pediatra. Leve anotações de medidas. Você pode achar serviços de referência no site da Sociedade Brasileira de Pediatria ou no posto de saúde mais próximo.

Conclusão

Seguir um plano simples, com comida de verdade e carinho diário, faz diferença enorme no crescimento. Lembre-se: ajustar a dieta nas três fases, oferecer proteína de qualidade e acompanhar com o pediatra são passos seguros para ver seu filho mais forte e alto. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Consenso sobre recuperação nutricional. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 96, supl. 1, p. S39-S45, 2020.
  2. Prentice, A. M. et al. Critical windows for nutritional interventions against stunting. American Journal of Clinical Nutrition, v. 97, n. 5, p. 911-918, 2019.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de atendimento da criança com desnutrição grave em nível hospitalar. Brasília, 2021.