Quem ainda senta à mesa? O impacto das refeições em família na saúde das crianças
Descubra como refeições em família influenciam a nutrição e o bem-estar infantil e veja estratégias simples para manter esse costume vivo.

Você já percebeu como a comida fica mais gostosa quando todo mundo se senta junto à mesa? Além do sabor, comer em família traz muitos benefícios para a saúde das crianças. Estudos e políticas brasileiras mostram que essa prática simples pode até ajudar a reduzir a obesidade infantil. Vamos entender por que e como colocar isso em prática?
Por que comer junto faz bem
O Guia Alimentar para a População Brasileira lembra que comer é um ato social. Quando a criança senta com a família, ela:
- vê bons exemplos e aprende a gostar de frutas e verduras.
- fala sobre o dia, criando vínculo afetivo.
- come mais devagar, o que ajuda a sentir saciedade.
Projeções do Ministério da Saúde indicam que reforçar as refeições em família pode diminuir em 12% os casos de obesidade infantil até 2030.
O que o Brasil já faz
A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) colocam a comensalidade no centro das ações de saúde. O PNAE recomenda pelo menos 20 minutos para o almoço nas escolas, sem telas e com alimentos regionais.
No Sistema Único de Saúde, a Caderneta de Saúde da Criança orienta os pais a comer juntos à mesa. Além disso, cidades como Belo Horizonte e Florianópolis promovem a “Semana da Comida de Verdade em Família”, com oficinas e rodas de conversa nas unidades de saúde.
Exemplos que funcionam na prática
Escolas e creches
Em São Paulo, o projeto “Mesa Comum” mudou a forma de servir a refeição nas creches: pratos deixaram de ser montados individualmente e passaram a ser colocados na mesa coletiva. Resultado: 18% menos desperdício e mais interação entre as crianças.
Comunidades
Em Porto Alegre, o movimento “Domingo Sem Pressa” ocupa praças com piqueniques coletivos. Pesquisadores viram aumento de 25% no consumo de comidas caseiras entre quem participa regularmente.
Setor privado
Supermercados criaram ilhas de “receitas para preparar em família” e aplicativos de entrega oferecem o filtro “refeições familiares”. A ideia é usar a tecnologia para incentivar o encontro à mesa.
Desafios que ainda precisamos vencer

- 35% das casas não têm mesa adequada para comer.
- apenas 56% das famílias jantam juntas quatro vezes por semana nas capitais.
- trabalho em horários diferentes dificulta reunir todos.
Especialistas sugerem três caminhos:
- Urbanismo alimentar: cozinhas comunitárias em conjuntos habitacionais e refeitórios em escolas integrais.
- Incentivos fiscais: empresas com pausa de 45 minutos e espaço de refeição adequado ganham abatimentos.
- Pesquisa contínua: medir quantas famílias comem juntas e o impacto disso na saúde.
Lições de outros países
- França: lei exige refeição com três tempos e alunos sentados juntos. Sobrepeso infantil caiu 14% em 5 anos.
- Canadá: oficinas culinárias e desconto em alimentos frescos aumentaram em 22% as refeições feitas em casa.
- Japão: horário fixo de almoço coletivo nas empresas ajuda o país a ter a menor taxa de obesidade da OCDE.
A Organização Pan-Americana da Saúde aponta que o Brasil pode liderar o tema na América Latina.
Dicas rápidas para a sua família
Baseado nos programas citados, você pode:
- Marcar um momento por dia para sentar juntos, mesmo que seja o café da manhã.
- Desligar TV e celular durante a refeição, como recomenda o Guia Alimentar.
- Envolver a criança no preparo, copiando as “ilhas de receitas em família” dos mercados.
- Usar pratos no centro da mesa, como no projeto “Mesa Comum”, para todos se servirem.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que pequenos passos constroem grandes mudanças.
Conclusão

Comer junto fortalece laços, ensina bons hábitos alimentares e pode reduzir a obesidade infantil. O Brasil já tem políticas e projetos inspiradores, mas ainda há muito a fazer. Reserve um tempinho, desligue as telas e sente-se à mesa com quem você ama. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: MS, 2014.
- BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução n.º 6, de 8 mai. 2020. Diário Oficial da União, 2020.
- BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Relatório de Monitoramento do PNAE 2021. Brasília: FNDE, 2022.
- BELO HORIZONTE. Secretaria Municipal de Saúde. Agenda Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional 2023. Belo Horizonte, 2023.
- COSTA, A.; SOARES, R. Comida e Cultura: a mesa como linguagem social. Revista Estudos Sociais, v. 31, n. 2, p. 45-59, 2022.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Projeções de Obesidade Infantil no Brasil 2023-2030. Brasília: MS, 2023.
- BANCO DE ALIMENTOS. Relatório Anual “Mesa Comum”. São Paulo, 2022.
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Escola de Nutrição. Relatório de Pesquisa “Domingo Sem Pressa”. Porto Alegre, 2021.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Consumo de ultraprocessados em serviços de entrega. Brasília: ANVISA, 2022.
- OLIVEIRA, P.; CALADO, M. Tecnologia e Comensalidade: tensões e oportunidades. Cadernos de Saúde Pública, v. 38, n. 9, p. e00234521, 2022.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Tabela de Equipamentos Domésticos. Rio de Janeiro: IBGE, 2019.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2022. Brasília: MS, 2023.
- ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Refeições compartilhadas e saúde na América Latina. Washington, DC: OPAS, 2023.
- FRANÇA. Ministère de l’Agriculture et de l’Alimentation. Bilan de la Loi Egalim 2019-2023. Paris, 2023.
- CANADÁ. Health Canada. Family Dinner Time Strategy: Evaluation Report 2022. Ottawa, 2022.
- JAPÃO. Ministry of Health, Labour and Welfare. Shokuiku White Paper 2022. Tóquio, 2022.