Refeições em família no Brasil: hábito em queda e caminhos para resgatar
Descubra como estão as refeições em família no Brasil, os impactos das telas à mesa e veja dicas simples para recuperar esse hábito importante.

Você ainda consegue jantar com toda a família? Se a resposta é “nem sempre”, você não está sozinho. No Brasil, cada vez menos famílias conseguem se reunir para as refeições. E isso pode afetar muito a saúde e o desenvolvimento das crianças.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que comer junto é mais que alimentar o corpo — é alimentar os laços familiares. Vamos descobrir juntos como estão as refeições familiares no nosso país e o que podemos fazer para melhorar.
Como estão as refeições em família no Brasil hoje
Apenas 56% das famílias brasileiras conseguem fazer refeições juntas todos os dias. Há 20 anos, esse número era de 78%. Isso significa que quase metade das famílias perdeu o hábito de comer junto.
O que mais chama atenção:
- 68% das famílias ainda jantam juntas.
- Apenas 23% conseguem almoçar juntas nos dias úteis.
- Nas grandes cidades, só 15% das famílias almoçam juntas.
Por que isso está acontecendo
A vida moderna mudou muito. Pais trabalham longe de casa, crianças ficam na escola em tempo integral, e o trânsito nas cidades grandes toma horas do dia. Como resultado, fica cada vez mais difícil estar todos juntos na hora da refeição.
Nordeste vs. Sudeste: quem come mais junto
O Brasil é diverso e cada região tem seus hábitos. No Nordeste, 65% das famílias ainda conseguem fazer pelo menos uma refeição juntas por dia. Já no Sudeste, esse número cai para 48%.
Por que essa diferença?
- No Nordeste, as tradições familiares ainda são mais fortes.
- Nas grandes cidades do Sudeste, as pessoas gastam mais tempo no trânsito.
- Famílias do interior preservam mais o costume de comer junto.
O que o dinheiro tem a ver com isso
Famílias com mais dinheiro costumam comer menos vezes juntas, mas quando o fazem, a qualidade da conversa é melhor. Já famílias com menos recursos financeiros se reúnem mais, mas às vezes com mais pressa.
O grande vilão: celular na mesa

Um dado preocupante: 72% das famílias brasileiras usam celular, tablet ou assistem TV durante as refeições. O smartphone é o maior ladrão de atenção na hora da comida.
Isso causa:
- Menos conversa entre pais e filhos.
- Crianças que comem sem prestar atenção.
- Perda do momento de conexão familiar.
- Problemas de digestão.
Cidade vs. campo: onde se come melhor
Famílias que moram em áreas urbanas dedicam em média 15 minutos a menos às refeições do que famílias do campo. No interior, as pessoas ainda preservam mais o tempo da comida como momento especial.
No campo:
- Refeições mais demoradas e tranquilas.
- Menos pressa para terminar.
- Tradições alimentares mais preservadas.
Na cidade:
- Refeições mais rápidas.
- Mais distrações, como TV e celular.
- Menos tempo para conversar.
Como melhorar as refeições em família
Escolha uma refeição por dia
Se não dá para todas, comece pelo jantar. É quando a família tem mais chance de estar reunida.
Desligue tudo
Celular, TV, tablet — tudo desligado. A comida e a família merecem atenção total.
Envolva as crianças
Deixe que elas ajudem a preparar a mesa ou escolher o que vão comer.
Não tenha pressa
Mesmo que sejam apenas 15 minutos, aproveite bem. Converse, pergunte como foi o dia.
Seja flexível
Se não deu hoje, não desista. Amanhã é uma nova oportunidade para tentar.
Por que isso é tão importante para as crianças
Comer em família não é só tradição — é saúde. Quando as crianças fazem refeições com os pais:
- Comem alimentos mais saudáveis.
- Desenvolvem melhor relação com a comida.
- Aprendem sobre nutrição naturalmente.
- Fortalecem os laços familiares.
- Têm menos problemas de comportamento.
O Ministério da Saúde recomenda fazer pelo menos uma refeição por dia em família, sem distrações, dedicando tempo para conversar e se conectar.
Conclusão

As refeições em família estão mudando no Brasil, mas isso não significa que devemos desistir. Mesmo com a correria do dia a dia, podemos encontrar formas de nos reunir à mesa.
Lembre-se: não precisa ser perfeito. Começar com pequenos passos já faz uma grande diferença na vida das crianças. Uma refeição por dia, sem celular, com conversa e carinho — isso já é um presente para toda a família.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, sabemos que cada família é única. O importante é encontrar o que funciona para vocês e lembrar sempre: crescer com saúde é mais legal quando crescemos juntos, inclusive na hora da comida.
Que tal começar hoje? Escolha uma refeição, desligue o celular e aproveite esse momento especial com quem você mais ama.
Referências
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018. Rio de Janeiro: IBGE; 2019.
- Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília: MS; 2014.
- Associação Brasileira de Nutrição. Padrões alimentares no Brasil: relatório 2020. São Paulo: ASBRAN; 2020.
- Castro IRR, et al. Vigilância de fatores de risco para doenças não transmissíveis. Rev Saude Publica. 2021;55:5.
- Silva JG, et al. Comensalidade familiar no Brasil contemporâneo. Rev Nutr. 2020;33:e190125.
- Pereira RS, et al. Influência da tecnologia nos hábitos alimentares familiares. Ciênc Saúde Colet. 2021;26(3):1065-1074.
- Lima SCVC, et al. Padrões alimentares urbanos e rurais no Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2020;23:e200035.