Relógio biológico na mala: como ajustar a insulina em viagens internacionais
Descubra como adaptar o uso da insulina em viagens internacionais. Veja dicas práticas para lidar com fusos, evitar falhas e garantir segurança.

Vai viajar e o relógio muda? Seu corpo também sente! Quem usa insulina precisa planejar cada passo para evitar picos ou quedas de glicose. Neste guia rápido do Clube da Saúde Infantil, você encontra dicas fáceis, em linguagem simples, para manter a glicemia no alvo antes, durante e depois do voo. Vamos lá?
Por que o fuso horário mexe com a glicemia?
Quando voamos para o leste, o dia encurta. Para o oeste, ele estica. É como adiantar ou atrasar o despertador do corpo. A insulina segue o relógio interno, por isso mudar de fuso sem ajustar as doses pode causar hipoglicemia ou hiperglicemia.
Antes do embarque: planeje com 7 a 10 dias
Planejamento é a mala mais importante. Separe o dobro de insumos, leve parte na bagagem de mão e parte na mala despachada. Carregue uma carta médica em português e inglês.
Se usa várias injeções por dia (MDI)
- Viagem para o leste (dia mais curto): antecipe a insulina basal em uma hora por dia, dois a três dias antes do voo.
- Viagem para o oeste (dia mais longo): atrase a basal em até duas horas por dia.
Se usa bomba de insulina
- Só mude o horário da bomba depois de pousar.
- Crie um perfil temporário com 70% da basal durante o voo para compensar o menor gasto de energia.
Durante o voo: olho na glicose e na hidratação
Monitorar de dia e de noite
- Voos diurnos: cheque a glicemia a cada duas ou três horas. Corrija apenas se passar de 250 mg/dL.
- Voos noturnos: ajuste o alarme do sensor para 140 mg/dL, garantindo mais tranquilidade ao dormir.
O que comer no avião?
Leve lanches que você já conhece, como sanduíche integral, castanhas e frutas secas. Divida em pequenas porções. Para crianças, fracionar o lanche ajuda a evitar picos de glicose.
Chegou ao destino: sincronize relógios e doses

A primeira coisa é mudar o horário do glicosímetro, da bomba e dos alarmes.
Para quem usa MDI
- Voo para o leste: aplique a basal no horário local da noite. Se o intervalo entre doses ficar menor que 24 horas, reduza 20%.
- Voo para o oeste: se o intervalo ultrapassar 28 horas, faça meia dose extra 24 horas após a última aplicação completa.
Para quem usa bomba
Crie um novo perfil chamado “Destino”. Ajustar o horário da bomba até duas horas após o pouso reduz em cerca de 25% os episódios de hipoglicemia noturna.
Dicas extras que fazem diferença
Sono e jet lag
A luz do dia é o melhor aliado. Saia ao sol, evite café depois das 15 horas e mantenha os horários das refeições. Isso ajuda a glicemia a entrar no ritmo local.
Apps e seguro-viagem
Alguns aplicativos calculam a dose em diferentes fusos. Contratar um seguro-viagem que cobre insulina e sensores perdidos traz mais tranquilidade.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara é o primeiro passo para uma viagem segura e divertida.
Conclusão

Viajar com diabetes exige atenção, mas é totalmente possível. Planeje as doses antes do embarque, monitore durante o voo e ajuste logo que pousar. Com essas ações simples, você curte o passeio e protege sua saúde. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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- American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes—2023: pharmacologic approaches to glycemic treatment. Diabetes Care. 2023;46(Suppl 1):S158-S190.
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