Remédios e rotina: pais enfrentam dilema no cuidado com filhos adolescentes
Descubra por que mais adolescentes dependem de medicação contínua e como os pais podem equilibrar cuidado e independência na rotina de tratamento.

Você sabia que 1 em cada 4 adolescentes brasileiros precisa tomar remédios todos os dias? Se seu filho está entre eles, você não está sozinho. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender esses dados ajuda famílias a cuidar melhor da saúde dos jovens.
Por que tantos adolescentes precisam de remédios
Cerca de 25% dos adolescentes no Brasil tomam medicamentos de forma contínua. Isso significa que, em uma sala com 20 alunos, pelo menos cinco usam algum remédio regularmente.
Os dados do Sistema Único de Saúde mostram um crescimento anual de 8,5% na distribuição de medicamentos para adolescentes — o que indica mais diagnósticos e maior acesso ao cuidado médico.
Por que esse aumento acontece
• Mais adolescentes estão conseguindo atendimento médico regular.
• Algumas doenças se tornaram mais comuns entre os jovens, especialmente as respiratórias e as emocionais.
As doenças mais comuns entre adolescentes
- Asma – cerca de 12,6% dos casos. O pulmão fica “apertado”, dificultando a respiração.
- Problemas de saúde mental – 8,4% dos casos, incluindo ansiedade e depressão.
- Diabetes tipo 1 – 2,8% dos casos, com necessidade de insulina diária.
- Epilepsia – 1,7% dos casos, tratada com medicação regular para prevenir crises.
Nas grandes cidades, esses números são ainda maiores devido ao acesso mais fácil aos médicos, mas também por fatores como poluição, estresse e estilo de vida urbano.
O desafio da adesão ao tratamento

Entre 30% e 60% dos adolescentes param de tomar os remédios corretamente. Em outras palavras, de cada 10 jovens, entre 3 e 6 não seguem o tratamento como deveriam.
Por que isso acontece
• Esquecimento e falta de rotina.
• Efeitos colaterais incômodos.
• Vergonha de tomar remédio na frente dos amigos.
• Sensação de melhora e abandono precoce do tratamento.
• Falta de diálogo sobre a importância da medicação.
As consequências da interrupção
Quando o tratamento é interrompido:
• O país gasta bilhões por ano com internações evitáveis.
• Jovens perdem aulas e rendimento escolar.
• As famílias enfrentam mais estresse e preocupação.
• A qualidade de vida e o bem-estar do adolescente diminuem.
O custo social é alto — vai muito além do financeiro, afetando o futuro e o equilíbrio emocional dos jovens.
Como os pais podem ajudar
1. Converse abertamente
Explique por que o remédio é importante, ouça o que seu filho sente e evite julgamentos.
2. Crie rotinas simples
Use alarmes no celular, organize uma caixa de medicamentos e monte um calendário visual de horários.
3. Envolva a escola
Informe os professores e a equipe pedagógica sobre o tratamento. Eles podem ajudar a lembrar dos horários e garantir um ambiente acolhedor.
4. Busque apoio
Participe de grupos de pais, converse com o médico regularmente e divida responsabilidades com o adolescente conforme ele amadurece.
A importância do acompanhamento médico
Adolescentes em tratamento contínuo precisam de consultas regulares. O médico pode ajustar doses, trocar remédios, observar efeitos colaterais e reforçar a importância da adesão.
Sinais de alerta
Procure o médico se o adolescente:
• Apresentar novos efeitos colaterais.
• Falar em interromper o tratamento.
• Mostrar queda no desempenho escolar.
• Apresentar sintomas de ansiedade ou depressão.
Conclusão

Os dados mostram que a medicação contínua na adolescência é mais comum do que muitos imaginam. Com apoio da família, da escola e da equipe médica, esses jovens podem levar uma vida normal e saudável.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação é o primeiro passo para cuidar bem dos nossos filhos. Seguir o tratamento corretamente faz toda a diferença na vida do seu adolescente — porque crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Uso de medicamentos na adolescência: panorama atual. São Paulo: SBP; 2021.
- Ministério da Saúde (Brasil). Relatório de dispensação de medicamentos: 2012-2022. Brasília: MS; 2023.
- Organização Pan-Americana da Saúde. Perfil das doenças crônicas na adolescência nas Américas. Washington: OPAS; 2022.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Rio de Janeiro: IBGE; 2022.
- Silva AT, Santos MA. Adesão medicamentosa em adolescentes brasileiros. Revista de Saúde Pública. 2023;57(2):1-12.
- Fundação Oswaldo Cruz. Impacto econômico da não-adesão medicamentosa no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2023.
- Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Determinantes sociais na adesão medicamentosa juvenil. Revista Brasileira de Epidemiologia. 2022;25(1):45-58.