Representatividade infantil: autoimagem e saúde das crianças
Quando crianças se veem em personagens, propagandas e histórias, elas ganham confiança e aprendem a se aceitar. Veja por que isso faz diferença na saúde mental.

Você lembra da primeira vez que viu alguém parecido com você na TV? Para muitas crianças com vitiligo, alopecia ou uso de prótese, isso nunca acontece. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que “se reconhecer” faz diferença na saúde e na alegria de crescer.
Por que ver alguém parecido ajuda
Quando a mídia mostra apenas corpos “perfeitos”, a criança aprende que as diferenças devem ser escondidas. Mas quando aparecem modelos positivos, ela entende: “eu pertenço”.
Pesquisas mostram:
- 28% menos vergonha do próprio corpo.
- 34% menos culpa (“a culpa é minha”).
- Maior adesão ao tratamento médico, especialmente em doenças de pele e uso de dispositivos visíveis.
O que dizem os estudos brasileiros
- A campanha “Somos Todos Diferentes” fez as buscas sobre vitiligo crescerem 65% em seis meses.
- Na TV aberta, apenas 0,7% dos personagens infantis têm alguma diferença física — e 60% aparecem como vilões ou piadas.
- Crianças que participam do programa de mentoria “VitFriends Brasil” melhoraram em 22% o índice de Bem-Estar Infantil.
Exemplo simples
Ver um atleta paralímpico usando prótese é como colocar um espelho novo diante da criança — agora o reflexo mostra força e coragem, não vergonha.
Dicas práticas para família e escola

- Faça curadoria: escolha livros, filmes e perfis de redes sociais que mostrem diferenças de forma gentil.
- Inclua no currículo: fale sobre diversidade corporal em aulas de ciências, artes e educação física.
- Traga convidados: ex-alunos ou profissionais com a mesma condição podem inspirar.
- Evite o “exagero da superação”: histórias que só destacam o sofrimento ou o “milagre” criam pressão e medo.
Cuidado com armadilhas
Modelos excessivamente “perfeitos” podem virar um novo padrão inalcançável. Mostre biografias variadas — com sucessos e dificuldades reais. Representatividade é dar espaço para histórias completas, não apenas finais felizes.
Próximos passos: todos juntos
Políticas públicas, empresas e consumidores podem cobrar mais diversidade em brinquedos, desenhos, propagandas e livros didáticos. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) já aponta esse caminho. Cada nova aparição é como um antídoto contra o isolamento e o estigma.
Conclusão

Quando a criança vê alguém parecida com ela, a vergonha diminui, a esperança cresce e o tratamento se torna mais leve. Vamos encher nossas telas, livros e brinquedos de rostos reais e variados. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Martins M, Ferreira A. Imagem corporal e pertencimento social. Rev Psicol Saúde, 2021.
- Goffman E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2022.
- Smith L, et al. Positive imagery and self-esteem in children with visible differences. Pediatrics, 143(4), 2019.
- Lima D, Souza C. Narrativas midiáticas e heroísmo capacitista. Comun Soc, 2020.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Relatório da campanha “Somos Todos Diferentes”. Rio de Janeiro: SBD, 2022.
- Costa J. Programação infantil e diversidade corporal na TV aberta brasileira. TCC – UFRJ, 2023.
- Silva RA, Gomes P. Modelos positivos e autoaceitação em DCNTs pediátricas. Rev Bras Psicol Pediátr, 2020.
- VitFriends Brasil. Relatório de impacto 2022. São Paulo: VitFriends, 2022.
- Almeida P, et al. Social media influence on insulin pump adherence. J Diab Sci Technol, 2021.
- Oliveira C. Entrevista concedida à reportagem., 2023.
- Gomes F. “Pornografia da superação”: análise crítica. Rev Ética Saúde, 2020.
- Brasil. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Diário Oficial da União, 2015.
- Organização Mundial da Saúde. Childhood Chronic Conditions and Mental Health. Geneva: WHO, 2022.