Corpo e mente no mesmo cuidado: a nova fronteira do check-up infantil

Saiba por que avaliar corpo e mente juntos no check-up infantil melhora o aprendizado, o comportamento e a qualidade de vida das crianças.

Você leva seu filho para pesar, medir e vacinar. Mas e a mente dele, como vai? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cuidar do cérebro é tão importante quanto cuidar do corpo. Neste guia rápido, você vai descobrir ferramentas simples que o pediatra pode usar para avaliar a saúde mental já nos primeiros meses de vida.

Por que olhar a mente durante o check-up?

  • Até 5 anos, 80% do “alicerce” do cérebro está formado.
  • Cerca de 13% das crianças brasileiras têm algum transtorno mental detectável.
  • Depressão ou ansiedade sem tratamento podem quadruplicar o risco de evasão escolar na adolescência.

Pensar na saúde mental cedo é como colocar capacete antes de andar de bicicleta: evita quedas maiores lá na frente.

Ferramentas de triagem que cabem no consultório

ASQ-3 e ASQ:SE-2

São questionários para pais de bebês de 2 meses a 5 anos. Mostram atrasos no desenvolvimento com mais de 80% de acerto.

SDQ

Serve para crianças de 4 a 17 anos. Leva menos de 5 minutos e ajuda a detectar sinais de TDAH e ansiedade.

M-CHAT-R/F

Indicado dos 16 aos 30 meses, antecipou em dois anos o diagnóstico de autismo em estudos brasileiros.

Além dos formulários, o pediatra observa contato visual, fala e brincadeira. “Olhar, escutar e brincar continuam sendo as tecnologias mais poderosas”, lembra o Manual do Ministério da Saúde.

Depois da triagem: o que acontece?

Se aparecer sinal de alerta — por exemplo, perda de palavras já aprendidas ou sono muito agitado — o pediatra encaminha para psicólogo, psiquiatra ou fonoaudiólogo. Quanto mais rápido, melhor: até 3 meses faz diferença no resultado.

Modelos em que o especialista atende no mesmo posto de saúde reduziram faltas em 30%. A família também recebe folhetos, linguagem simples e até apps de celular, aumentando a adesão em 25%.

Desafios e soluções

  • Tempo curto de consulta: questionários que levam 5 minutos ajudam.
  • Falta de treinamento: oficinas de 8 horas dobram a taxa de triagens.
  • Estigma: explicar que “sentimentos também ficam doentes” reduz a resistência.
  • Tecnologia: prontuário eletrônico que avisa a próxima triagem garante mais de 90% de cobertura.

O futuro está chegando

Pesquisas testam câmeras e inteligência artificial para analisar voz e gestos durante a consulta. Já alcançaram 88% de acerto para risco de autismo. Porém, privacidade e acesso justo precisam ser garantidos.

Perguntas comuns

Meu filho é muito pequeno. Precisa mesmo de triagem?
Sim. Quanto mais cedo, mais fácil ajustar o rumo, como numa planta que cresce reta quando apoiada cedo.

Os testes machucam ou expõem meu filho a riscos?
Não. São só perguntas e observação de brincadeiras.

E se o pediatra não oferecer a triagem?
Peça! Leve este artigo ou mostre a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Conclusão

Cuidar da mente desde cedo é como dar vitaminas para o futuro. Com testes simples, observação atenta e apoio da família, podemos evitar problemas maiores e garantir que cada criança cresça feliz, brinque e aprenda com segurança. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. ABIODUN, O. et al. Early autism screening using machine learning on home videos. IEEE Transactions on Medical Imaging, v. 41, n. 3, p. 682-692, 2022.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Puericultura: atenção integral à saúde da criança. Brasília, 2021.
  3. BRITO, A.; MOURA, L.; LIMA, R. Mobile health applications improve adherence to child mental health follow-up: a randomized trial. JMIR mHealth and uHealth, v. 8, n. 9, e18279, 2020.
  4. CENTER ON THE DEVELOPING CHILD. Excessive stress disrupts the architecture of the developing brain.Cambridge: Harvard University, 2020.
  5. FLECK, M. et al. Integrating child psychiatry into primary care in Southern Brazil: outcomes and cost-effectiveness. Cadernos de Saúde Pública, v. 38, n. 4, e00123421, 2022.
  6. FREITAS, M.; QUEIROZ, T.; MEDEIROS, P. Short training increases mental health screening in Brazilian primary care. Revista de Saúde Pública, v. 55, n. 102, 2021.
  7. HECKMAN, J. The economic case for investing in early childhood. Science, v. 362, n. 6415, p. 190-191, 2018.
  8. KOVESS-MASFETY, V. et al. Duration of untreated mental disorders in children: a global review. Journal of Child Psychology and Psychiatry, v. 59, n. 3, p. 245-256, 2018.
  9. PAULA, C. S. et al. Prevalence of psychiatric disorders among Brazilian children: a systematic review. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 43, n. 6, p. 623-633, 2021.
  10. POLANCZYK, G.; SALUM, G.; ROHDE, L. The impact of childhood psychiatric disorders on academic achievement. Journal of Child Psychology and Psychiatry, v. 58, n. 7, p. 735-743, 2017.
  11. SANTOS, P. et al. Impact of universal M-CHAT screening in São Paulo: earlier autism diagnosis and intervention.Autism Research, v. 15, n. 2, p. 234-244, 2022.
  12. SBP – SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de Orientação: Saúde Mental na Puericultura. Rio de Janeiro, 2023.
  13. SILVA, D.; ARAÚJO, S. Telepediatria e triagem de saúde mental: experiência no SUS do Paraná. Revista Pan-Americana de Salud Pública, v. 47, e51, 2023.
  14. SQUIRE, J. et al. Ages & Stages Questionnaires®: A Parent-Completed Child Monitoring System. 4. ed. Baltimore: Brookes, 2019.
  15. UNICEF. The State of the World’s Children 2021: On My Mind – Promoting, protecting and caring for children’s mental health. New York, 2022.
  16. WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Mental Health Report: transforming mental health for all. Geneva, 2021.
  17. WOZNIAK, A.; RIBEIRO, R.; GONÇALVES, T. Validation of the Strengths and Difficulties Questionnaire in Brazilian adolescents. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 33, n. 11, 2020.