Leis brasileiras que garantem saúde mental na escola: o que falta para funcionar
Explore o que a legislação prevê sobre presença de psicólogos, programas preventivos e ações conjuntas entre escola e saúde — e entenda as barreiras que impedem esses direitos de virar prática diária.

Você sabia que a saúde da mente é tão importante quanto a saúde do corpo? Na escola, ela influencia notas, amizades e até o controle de doenças crônicas como diabetes e asma. Hoje, o Clube da Saúde Infantil mostra, em linguagem simples, como as leis brasileiras protegem o bem-estar de alunos e o que ainda precisa melhorar. Vamos juntos?
Por que falar de saúde mental na escola?
A escola é como uma segunda casa. É lá que crianças e adolescentes passam muitas horas, aprendem e convivem. Quando a mente vai bem, o aprendizado flui melhor. Quando há tristeza, ansiedade ou bullying, tudo fica mais difícil. Leis e programas públicos ajudam a garantir apoio profissional dentro da sala de aula.
As principais leis que apoiam o bem-estar dos alunos
Constituição Federal (1988)
A Carta Magna afirma que educação e saúde são direitos de todos. Essa é a base para as legislações posteriores que integram cuidado, prevenção e apoio emocional no ambiente escolar.
Estratégia Saúde na Escola – ESE (2007)
Criada pelo Decreto nº 6.286/2007, a ESE une posto de saúde e escola para ações de prevenção e promoção de saúde, incluindo suporte à saúde mental. Anos depois, uma portaria nacional tornou o cuidado emocional uma meta obrigatória dentro do programa.
Lei nº 13.935/2019
A lei determina a presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas públicas de todo o país. Esses profissionais ajudam a mediar conflitos, orientar famílias e acionar a rede de saúde quando necessário.
Plano de Doenças Crônicas 2021–2030
O Ministério da Saúde incluiu metas específicas de bem-estar psíquico de crianças e adolescentes, reconhecendo que saúde emocional interfere diretamente no controle de doenças como asma, obesidade e diabetes.
Diretrizes Curriculares da Educação Básica
As diretrizes oficiais abrem espaço para que escolas trabalhem emoções, autocuidado e habilidades sociais como parte da formação integral do aluno.
Desafios para transformar lei em realidade
• Diferenças entre regiões: alguns estados já têm psicólogos fixos nas escolas, enquanto outros dependem de visitas esporádicas de profissionais.
• Falta de verba específica: o financiamento da ESE é unificado e programas de saúde mental costumam custar mais que ações voltadas apenas para saúde física.
• Pouca integração: menos da metade dos municípios possui um protocolo claro de encaminhamento entre escola e unidade de saúde.
O que podemos fazer juntos?

- Acompanhar indicadores: cobrar que dados de bem-estar apareçam em avaliações nacionais, como o SAEB.
- Fortalecer o conselho escolar: pais e alunos podem decidir o uso de parte dos recursos da ESE para ações de saúde mental.
- Apoiar incentivos: projetos de lei defendem benefícios fiscais para empresas que financiem equipes de saúde mental nas escolas.
Perguntas frequentes
Minha escola é obrigada a ter psicólogo?
Sim. A Lei nº 13.935/2019 vale para todas as redes públicas, mas a contratação depende de cada estado ou município criar cargos e organizar equipes.
Como um professor pode ajudar sem sobrecarregar?
O professor é quem percebe os primeiros sinais de sofrimento. O papel dele é acionar a equipe de saúde da escola ou a unidade básica de saúde. Não precisa realizar atendimento terapêutico, apenas ser ponte para o cuidado adequado.
A saúde mental ajuda no controle de doenças físicas?
Ajuda muito. Crianças que recebem apoio emocional seguem melhor os tratamentos, reduzem episódios de descompensação e têm mais autonomia para lidar com condições crônicas.
Onde encontro mais informações confiáveis?
• Ministério da Saúde – Portal da Estratégia Saúde na Escola.
• Conselho Federal de Psicologia – orientações sobre psicologia escolar.
Desmistificando ideias erradas
Mito: Saúde mental é assunto apenas para quem tem doença grave.
Fato: Todos precisam cuidar da mente, assim como cuidamos da higiene diária.
Mito: Leis já existem, então o problema está resolvido.
Fato: Sem execução e verba adequada, a lei não se transforma em cuidado concreto.
Conclusão

A legislação brasileira deu passos importantes para proteger a saúde mental de crianças e adolescentes. Ainda há desafios, mas juntos — família, escola, profissionais e governo — podemos transformar direitos em ações reais. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples muda vidas. Lembre: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
- BRASIL. Decreto nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2007.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.358, de 1º de junho de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2017.
- BRASIL. Lei nº 13.935, de 11 de dezembro de 2019. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2019.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNTs 2021–2030. Brasília, DF: MS, 2021.
- BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010.
- SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Resolução SE nº 22, de 16 de março de 2021.
- TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Relatório de Auditoria Operacional: Estratégia Saúde na Escola. Brasília, DF: TCU, 2020.
- OLIVEIRA, P. R. et al. Custos de programas de promoção da saúde mental em instituições de ensino. Cadernos de Saúde Pública, 2021.