O segredo das férias leves: dividir o cuidado das crianças com saúde frágil
Descubra como dividir o cuidado de crianças com saúde frágil nas férias traz mais leveza para todos. Veja estratégias simples de rodízio e apoio familiar.

Férias escolares mudam a rotina de toda a casa. Para crianças com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes ou asma, essa mudança precisa de um bom plano. Quando cada pessoa da família sabe sua parte, o cuidado fica leve, como um jogo bem jogado. Veja como dividir responsabilidades e manter seu filho ou filha saudável.
Por que dividir tarefas ajuda?
Quando o cuidado fica concentrado em uma única pessoa, o peso é maior. Estudos mostram menos crises e maior adesão ao tratamento quando a família toda participa.
Passo 1: conheça as forças da sua família
Faça uma lista simples com quem tem tempo, quem domina certas tarefas e quais são os limites de cada um. Depois, distribua responsabilidades de acordo com essa lista.
Exemplos práticos
- Avó: programa alarmes de remédio no celular.
- Irmã adolescente: prepara lanches saudáveis.
- Responsável principal: revisa sinais de alerta.
Passo 2: use ferramentas fáceis
- Aplicativos gratuitos, como Google Calendar, para lembretes de hora e dose.
- Quadro branco na cozinha, com cores diferentes para cada pessoa.
O importante é que todos visualizem o plano diariamente.
Passo 3: faça rodízio para evitar cansaço
Trocar turnos ajuda a prevenir estresse. Em viagens, por exemplo, cada parente pode se revezar no monitoramento noturno da glicemia.
Cuidador de reserva
Escolha alguém preparado para:
- Reconhecer sinais de hipoglicemia ou falta de ar.
- Usar bomba de insulina, inalador ou oxímetro.
- Acessar contatos médicos e documentos de saúde.
Passo 4: ensine autonomia passo a passo

Crianças aprendem rápido quando participam. Entre 8 e 12 anos, podem medir a glicemia com supervisão. Na adolescência, já conseguem calcular doses com conferência de um adulto.
Dicas simples
- Transforme tarefas em jogo com adesivos de recompensa.
- Use relógios ou sensores com alarme para lembrar do remédio.
- Converse sobre erros sem bronca, reforçando o aprendizado.
Passo 5: lide com conflitos de forma clara
Ciúmes de irmãos ou divergências sobre dieta podem surgir. Para lidar melhor:
- Escute cada um sem interrupções.
- Valide sentimentos, mesmo sem concordar.
- Busque soluções conjuntas.
Se o cansaço virar irritabilidade ou culpa, procure ajuda profissional. Cuidar de quem cuida também faz parte do tratamento.
Passo 6: revise depois das férias
No fim do recesso, anote resultados como médias de glicemia, crises de asma ou peso. Registre o que foi fácil ou difícil e compartilhe com a escola e com a equipe de saúde. Isso ajuda a planejar melhor o próximo período.
Onde buscar mais informações
- Clube da Saúde Infantil – rotina de diabetes em crianças.
- Ministério da Saúde – materiais gratuitos para famílias.
- Sociedade Brasileira de Pediatria – manuais atualizados.
Conclusão

Quando todos ajudam, cuidar da criança com DCNT vira tarefa mais leve e alegre. Dividir funções, usar ferramentas simples, revezar turnos e estimular autonomia garantem férias mais seguras. Conte com o Clube da Saúde Infantil, porque crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Santos P, Barros L. Participação familiar no manejo de doenças crônicas pediátricas. Revista de Saúde Pública. 2020;54(2):123-131.
- Ministério da Saúde (Brasil). Caderno de Atenção às DCNT em Crianças. Brasília: Ministério da Saúde; 2021.
- Rodrigues A, Oliveira M, Lima S. Family-centered care in pediatric diabetes management. Journal of Pediatric Nursing. 2019;47:e25-e32.
- Organização Mundial da Saúde. Global action plan for the prevention and control of NCDs 2013-2030: 2022 update. Genebra: OMS; 2022.
- Araújo C, Ferreira D. Uso de tecnologia móvel no suporte ao autocuidado de doenças crônicas em adolescentes. Cadernos de Saúde Coletiva. 2021;29(4):567-576.
- Souza R, Martins G. Planejamento familiar colaborativo no controle da asma infantil. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2020;46(3):e20200455.
- Carvalho M, Souza G. Carga emocional do cuidador familiar de crianças com DCNTs. Psicologia: Reflexão e Crítica. 2020;33:15.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação: crianças com doenças crônicas. 2. ed. São Paulo: SBP; 2019.