Adolescência e SOP: saiba como reconhecer os primeiros sinais de alerta
Reconhecer a SOP na adolescência não é simples. Aprenda a diferenciar sinais da puberdade de sintomas que exigem acompanhamento médico especializado.

Descobrir se uma menina tem Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) durante a adolescência é como tentar montar um quebra-cabeças com peças que mudam de formato. Isso acontece porque o corpo das adolescentes está passando por muitas mudanças naturais da puberdade. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender esses desafios é o primeiro passo para cuidar melhor da saúde das nossas meninas.
Por que é difícil descobrir SOP na adolescência?
Imagine que você está tentando descobrir se uma planta está doente, mas ela está no meio da época de crescimento. Fica difícil saber o que é normal e o que é problema, não é? Com as adolescentes acontece algo parecido.
As mudanças normais confundem o diagnóstico
Durante a puberdade, o corpo das meninas passa por mudanças que são muito parecidas com os sinais da SOP. É como se fossem “gêmeas” difíceis de separar:
- Menstruação irregular: nos primeiros anos após a primeira menstruação, é normal que os ciclos sejam bagunçados.
- Ovários com aspecto policístico: até 4 em cada 10 meninas podem ter esse aspecto no ultrassom sem ter SOP.
- Mudanças hormonais: os hormônios ficam em “montanha-russa” durante a adolescência.
O que torna o diagnóstico especial nas meninas
Os médicos não podem usar as mesmas regras que usam para mulheres adultas. É como tentar usar roupas de adulto em uma criança — não serve direito. Por isso, eles precisam:
- Esperar o tempo certo: os especialistas recomendam aguardar pelo menos dois anos depois da primeira menstruação para avaliar se o ciclo menstrual está realmente irregular.
- Dar mais importância a alguns sinais: sintomas como excesso de pelos no corpo (hirsutismo) e acne persistente ganham mais peso no diagnóstico de adolescentes.
- Usar critérios adaptados: as medidas do ultrassom dos ovários são diferentes para meninas mais novas.
Os perigos de errar no diagnóstico
Quando o diagnóstico vem cedo demais
Dar o diagnóstico de SOP muito cedo pode ser como colocar um rótulo errado em um produto. Estudos mostram que uma em cada quatro meninas diagnosticadas na adolescência não apresenta mais a síndrome quando adultas. Isso pode causar:
- Ansiedade e preocupação desnecessária.
- Tratamentos que não são necessários.
- Impacto na autoestima da adolescente.
Quando o diagnóstico demora demais
Por outro lado, descobrir a SOP tarde demais é como deixar uma planta doente sem cuidado. Quanto mais cedo identificamos e tratamos, melhores são os resultados para a saúde da menina no futuro.
Como os médicos fazem o diagnóstico correto
O método passo a passo
Os especialistas usam uma abordagem cuidadosa, como um detetive investigando um caso:
- Acompanhar o crescimento: documentar como a puberdade está acontecendo, como se fosse um diário do desenvolvimento.
- Observar ao longo do tempo: em vez de tirar conclusões rápidas, os médicos acompanham os sintomas por meses ou anos.
- Descartar outras doenças: verificar se não é outro problema hormonal que está causando os sintomas.
- Trabalhar em equipe: envolver diferentes especialistas, como pediatras, ginecologistas e endocrinologistas.
Sinais que merecem atenção
Alguns sintomas são como “bandeiras vermelhas” que precisam de mais investigação:
- Menstruação que continua muito irregular depois de dois anos da primeira vez.
- Crescimento excessivo de pelos em locais como rosto, peito e barriga.
- Acne grave que não melhora com tratamentos comuns.
- Ganho de peso rápido e difícil de controlar.
- Manchas escuras na pele (acantose nigricans).
A importância do acompanhamento especializado
Por que não pode ser qualquer médico
Diagnosticar SOP em adolescentes é como fazer uma receita muito especial — precisa de um chef experiente. Médicos especializados em adolescentes conhecem melhor:
- As diferenças entre mudanças normais e sinais de doença.
- Quando é o momento certo de fazer o diagnóstico.
- Como explicar a situação para a família de forma clara.
O papel da família
A família é como o alicerce de uma casa — fundamental para o sucesso do tratamento. Os pais podem ajudar:
- Observando e anotando os sintomas da filha.
- Mantendo um calendário menstrual.
- Apoiando emocionalmente a adolescente.
- Seguindo as orientações médicas.
Mitos e verdades sobre SOP na adolescência
- Mito: “Se tem ovários policísticos no ultrassom, tem SOP.”
Verdade: muitas meninas saudáveis podem ter ovários com aspecto policístico sem ter a síndrome. - Mito: “SOP só acontece em meninas com sobrepeso.”
Verdade: a SOP pode afetar meninas de qualquer peso, embora seja mais comum em quem tem excesso de peso. - Mito: “Menstruação irregular sempre é SOP.”
Verdade: nos primeiros anos após a primeira menstruação, é normal ter ciclos irregulares.
Conclusão

Descobrir SOP na adolescência é um desafio que exige paciência, conhecimento e cuidado especial. Como uma planta que precisa do tempo certo para florescer, o diagnóstico correto também tem seu momento ideal. O mais importante é ter acompanhamento médico especializado e não tirar conclusões precipitadas.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que com informação de qualidade e cuidado adequado, todas as meninas podem ter uma adolescência saudável e feliz. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal, e isso inclui cuidar bem da saúde reprodutiva desde cedo.
Se você suspeita que sua filha possa ter SOP, procure um especialista em saúde do adolescente. O diagnóstico correto no tempo certo pode fazer toda a diferença para o futuro dela.
Referências
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- Teede HJ, Misso ML, Costello MF, et al. Fertil Steril. 2018;110(3):364-379.
- Peña AS, Witchel SF, Hoeger KM, et al. BMC Med. 2020;18(1):72.
- Carmina E, Oberfield SE, Lobo RA. Am J Obstet Gynecol. 2010;203(3):201.e1-5.