Pintar, conversar, brincar: os novos caminhos do cuidado infantil

Música, arte e diálogo estão mudando o jeito de cuidar da mente infantil. Veja como práticas simples complementam o tratamento médico com acolhimento e leveza.

Você sabia que conversar, pintar ou brincar com um cão podem ajudar uma criança com doença crônica? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Vamos mostrar terapias simples, seguras e eficazes — tudo em linguagem fácil e com links confiáveis. Vem com a gente!

O que são DCNTs em crianças

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) incluem condições como asma, diabetes e cardiopatias. Elas duram muito tempo e exigem acompanhamento constante.

Por que a saúde mental importa

Viver com uma doença prolongada pode causar medo, tristeza e vergonha. Pesquisas indicam que 70% das crianças melhoram quando recebem apoio psicológico adequado.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): o que é

A TCC é uma conversa guiada com um psicólogo em que a criança aprende a substituir pensamentos negativos (“não sou capaz”) por ideias mais saudáveis (“posso tentar”).

Benefícios comprovados

  • Redução de até 70% dos sintomas de ansiedade e depressão.
  • Sessões adaptadas à idade: jogos, histórias e desenhos ajudam a criança a se expressar.

Terapia em grupo: força na união

Em grupos terapêuticos, as crianças percebem que não estão sozinhas. Essa vivência melhora a autoestima e diminui o isolamento. É como um time: cada participante ajuda o outro a marcar gols contra o estigma.

Arteterapia e terapia com animais: quando falar é difícil

Pintar, desenhar, modelar ou tocar música ajuda a soltar sentimentos que ficam guardados. O contato com animais — especialmente cães e gatos — reduz o estresse e traz calma, como um “abraço peludo”. São boas opções para quem tem dificuldade de falar sobre o que sente.

Desafios de acesso no SUS

Apenas 3 em cada 10 crianças recebem acompanhamento psicológico regular pelo SUS. Procure o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) da sua cidade ou peça encaminhamento no posto de saúde mais próximo.

Como identificar sinais de sofrimento

  • Mudanças de humor por mais de duas semanas.
  • Falta de vontade de brincar.
  • Queixas físicas sem causa aparente, como dor de cabeça ou de barriga.

Intervenções feitas nos primeiros seis meses após o diagnóstico mostram os melhores resultados.

Passos práticos para pais e cuidadores

  1. Converse com o pediatra sobre a importância do apoio psicológico.
  2. Busque serviços no SUS, CAPSi ou convênios particulares.
  3. Participe das sessões e pratique as técnicas em casa.
  4. Compartilhe experiências em grupos de apoio on-line seguros, como o portal do Ministério da Saúde.

Equívocos comuns

  • “Terapia é só para adultos.”
    Crianças também se beneficiam e respondem rapidamente.
  • “Meu filho vai ficar dependente do psicólogo.”
    O objetivo é desenvolver autonomia emocional.
  • “Arte e animais são apenas brincadeira.”
    São recursos terapêuticos reconhecidos cientificamente.

Conclusão

Cuidar da mente faz parte do tratamento. TCC, grupos, arte e contato com animais são caminhos simples e eficazes para melhorar a qualidade de vida das crianças com DCNT. Procure ajuda cedo, use os recursos do SUS e lembre-se: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Silva MB, et al. Cognitive behavioral therapy outcomes in pediatric chronic conditions. Journal of Pediatric Psychology, 44(3):243–255, 2019.
  2. Santos AR, et al. Adaptações da TCC para crianças: evidências brasileiras. Revista Brasileira de Terapia Cognitiva, 16(2):78–89, 2020.
  3. Thompson RD, et al. Group interventions for stigmatized children: a systematic review. Pediatrics, 142(1):e20180948, 2018.
  4. Oliveira LC, et al. Arte como recurso terapêutico em pediatria. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 73(1):45–58, 2021.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Relatório de Acesso à Saúde Mental Infantil. Brasília, 2022.
  6. Costa JF, et al. Integração dos cuidados em saúde mental infantil. Revista de Saúde Pública, 55:45, 2021.
  7. Pereira MG, et al. Early psychological intervention in chronic diseases. Health Psychology Review, 14(1):163–185, 2020.