A ciência por trás do carinho: genes infantis que respondem ao afeto

Conheça como o toque materno, o método canguru e o leite materno modulam vias ligadas ao estresse, à imunidade e à ativação de genes importantes para a saúde do bebê.

Você sabia que um simples carinho pode falar com os genes do seu bebê? Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como o toque, o método canguru e a amamentação fazem diferença no corpo e na mente da criança.

Epigenética: o botão liga e desliga dos genes

Epigenética parece complicado, mas é simples: pense nela como um interruptor. O DNA já está lá, como a fiação da casa. O toque, o leite materno e o ambiente apertam esse interruptor e escolhem quais genes ficam ativos ou silenciosos.

Toque da mãe: carinho que muda a biologia

• Bebês que recebem contato pele a pele apresentam menos marcações químicas em genes ligados ao estresse.
• Menos marcação significa gene ligado para controlar melhor o estresse ao longo da vida.

Método canguru: abraço prolongado

No método canguru, o bebê fica de fralda no peito da mãe ou do pai. Essa posição aumenta a produção de oxitocina, o “hormônio do amor”, e pode modificar genes ligados a ele. Essas mudanças podem durar por anos.

Amamentação: leite que conversa com os genes

O leite materno não é apenas alimento. Ele carrega microRNAs — pequenas moléculas que enviam mensagens às células do bebê. Mais de 200 já foram identificados no leite humano. Eles ajudam o sistema imunológico a ficar mais forte e a amadurecer de forma equilibrada.

Família x instituição: o poder do lar

Crianças criadas em ambientes familiares amorosos costumam apresentar padrões epigenéticos mais saudáveis, ligados a um melhor desenvolvimento emocional. O cuidado constante pode até reverter parte das marcas negativas deixadas pela falta de afeto em fases iniciais da vida.

Perguntas comuns

1. Preciso fazer método canguru o dia todo?
Não. Alguns minutos ao longo do dia já ajudam bastante.

2. E se eu não puder amamentar?
Carinho, olho no olho e contato pele a pele continuam essenciais para o vínculo e para o desenvolvimento.

3. Essas mudanças de genes são permanentes?
Algumas duram anos, mas o ambiente segue influenciando. Afeto diário sempre faz diferença.

Equívocos que devemos evitar

“Só mães criam vínculo.” Pais e cuidadores também fortalecem o bebê com contato e afeto.
“Se perdi o início, não adianta mais.” Nunca é tarde para oferecer carinho e segurança.

Conclusão

Carinho e leite materno são mais poderosos do que parecem: eles influenciam a ativação dos genes do bebê, ajudam no controle do estresse e fortalecem a saúde. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que gestos simples geram grandes mudanças. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Moore, S. R. et al. Epigenetic regulation of the oxytocin receptor gene. Frontiers in Neuroscience, 2019.
  2. Feldman, R.; Singer, M.; Zagoory, O. Touch and infant stress regulation. Developmental Science, 2020.
  3. Melnik, B. C.; Schmitz, G. MicroRNAs in human breast milk. Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care, 2021.
  4. Nelson, C. A.; Zeanah, C. H.; Fox, N. A. Early experience and human development. Neural Plasticity, 2019.
  5. Champagne, F. A. Epigenetic mechanisms of maternal care. Frontiers in Neuroendocrinology, 2018.