Transição de cuidados: do pediatra ao médico adulto
Descubra como ajudar seu filho a trocar o pediatra por um médico adulto de forma tranquila. Dicas para fortalecer a autonomia e manter o vínculo com a saúde.

Chega um momento em que o(a) adolescente deixa o pediatra e passa a ser atendido por um médico de adultos. Essa mudança pode parecer um salto no escuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que, com informação clara e passo a passo, essa travessia fica leve e segura para toda a família.
Por que a mudança importa
Passar do cuidado infantil para o adulto não é só trocar de sala de espera. É aprender a falar do próprio corpo, pedir receitas e entender cada remédio. Adolescentes que treinam essas tarefas antes dos 18 anos têm menos internações e mais qualidade de vida.
Três passos para uma transição tranquila
1. Planejar cedo (a partir dos 14 anos)
• Converse com o jovem sobre a mudança de forma simples, como quem combina uma viagem.
• Marque datas-meta, por exemplo: “agendar a primeira consulta adulta até dezembro”.
• Use um “resumo médico portátil” de uma página com diagnósticos, doses, alergias e telefones de emergência.
2. Medir prontidão com perguntas fáceis
Um modelo chamado TRAQ dá notas de 1 a 5 para tarefas como “sei pedir receita” ou “sei reconhecer efeito colateral”. Quando o jovem marca 4 ou 5, sinal verde para avançar.
3. Transferir com calma (consultas duplas)
• Faça ao menos duas consultas em que pediatra e clínico adulto estejam juntos.
• Isso evita que informações se percam entre sistemas diferentes de saúde.
Dicas práticas para famílias e jovens

• Treine ligações para farmácia, como se fosse um jogo de interpretação.
• Use aplicativos de lembrete de remédios com “badges” de conquista — cada dose tomada é uma medalha!
• Troque supervisão por perguntas abertas: “Qual parte do seu tratamento ainda te preocupa?”
Perguntas que ouvimos com frequência
Meu filho ainda esquece o horário do remédio. É cedo para mudar?
Não. A transição é gradual. Continue treinando lembretes no celular e peça ajuda do novo médico.
Podemos levar os pais à primeira consulta adulta?
Sim. O importante é que, aos poucos, o(a) jovem fale mais que os pais.
E se o sistema de saúde mudar a forma de entregar a medicação?
Planejem juntos um calendário. Vale combinar retiradas mensais com amigos ou parentes.
Equívocos comuns
• “Transição é despedida.” Não: é evolução do cuidado.
• “Só crianças com doença grave precisam disso.” Todos os adolescentes se beneficiam de aprender autonomia.
• “É melhor esperar até os 18.” Quanto mais cedo praticar, mais fácil é fixar o hábito.
Conclusão

A troca do pediatra pelo médico adulto não precisa ser um susto. Com planejamento, treino e apoio, o(a) jovem ganha voz ativa na própria saúde. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS; AMERICAN ACADEMY OF FAMILY PHYSICIANS; AMERICAN COLLEGE OF PHYSICIANS. Supporting the health care transition from adolescence to adulthood in the medical home. Pediatrics, Elk Grove Village, v. 142, n. 5, p. e20182587, 2018.
- BRENDSEN, J. et al. The effect of structured transition programs on adherence in young adults with chronic disease. BMC Health Services Research, Londres, v. 19, p. 921, 2019.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para doenças crônicas na adolescência. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.
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- PAINTER, C.; KROENKE, K.; CASAVANT, S.; BURRIS, A. Health care transition for youth with special health care needs. Journal of Adolescent Health, Saint Louis, v. 66, n. 6, p. 631-638, 2020.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de orientação: transição do cuidado do adolescente para serviços de saúde adultos. Rio de Janeiro: SBP, 2021.
- WHITE, P. H.; COOLEY, W. C.; TRANSITIONS CLINICAL REPORT AUTHORING GROUP. Pediatric to adult health care transition: a clinical report. Pediatrics, Elk Grove Village, v. 128, n. 1, p. 182-200, 2018.