A transição da reumatologia: como preparar seu filho para assumir o próprio tratamento

Explore formas de apoiar seu filho na mudança para o serviço reumatológico adulto, fortalecendo autonomia, comunicação e continuidade do tratamento.

Você sabia que cerca de 10 mil jovens brasileiros com doenças reumáticas precisam mudar do pediatra para o médico de adultos todos os anos? Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar como fazer essa mudança da melhor forma possível, garantindo que seu filho continue recebendo o melhor tratamento.

O que são doenças reumáticas em crianças e adolescentes

As doenças reumáticas são condições que afetam articulações e outros órgãos. Embora sejam mais comuns em pessoas idosas, podem surgir na infância. A artrite idiopática juvenil, por exemplo, afeta aproximadamente 1 em cada 1.000 crianças no Brasil.

Por que a mudança de médico é necessária

À medida que o adolescente cresce, suas necessidades mudam. Ele passa a precisar de mais autonomia e entendimento sobre sua própria saúde. Cerca de 70% dos jovens com doenças reumáticas continuarão o tratamento na vida adulta, e a mudança de equipe médica é uma etapa natural dessa trajetória.

Como funciona a transição

A transição não é apenas trocar de profissional. É um processo planejado, que costuma começar por volta dos 14 anos, conforme recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia. A ideia é preparar o adolescente aos poucos, de modo que ele chegue ao serviço de adultos com segurança e clareza sobre seu tratamento.

Passos importantes da transição

  • Conversa inicial para explicar como será a mudança.
  • Preparação para que o adolescente entenda sua condição.
  • Aprendizado sobre medicamentos e responsabilidades diárias.
  • Conhecimento do novo médico e do funcionamento do serviço adulto.
  • Acompanhamento conjunto entre pediatra e médico de adultos durante o período de adaptação.

Dicas práticas para uma boa transição

  • Inicie o processo cedo.
  • Incentive seu filho a participar ativamente das consultas.
  • Ajude-o a registrar sintomas, dúvidas e rotinas.
  • Explique a importância de manter os horários dos medicamentos.
  • Organize os exames e documentos médicos de forma acessível.

Mitos e verdades

❌ “Reumatismo só afeta idosos.”
Crianças e adolescentes também podem desenvolver doenças reumáticas.

❌ “A doença melhora sozinha na adolescência.”
Muitos jovens precisarão continuar o tratamento quando adultos.

❌ “Se não há sintomas, não é necessário acompanhamento.”
O seguimento regular é essencial para manter a doença controlada.

Conclusão

A transição do cuidado pediátrico para o adulto é uma etapa fundamental na trajetória de jovens com doenças reumáticas. Quando bem planejada e acompanhada pela família e pelos profissionais de saúde, essa mudança acontece de forma tranquila, garantindo continuidade, segurança e maior autonomia para o adolescente.


Referências

  1. Foster HE, et al. EULAR/PReS standards and recommendations for the transitional care of young people with juvenile-onset rheumatic diseases. Ann Rheum Dis. 2017;76(4):639-46.
  2. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Recomendações para a transição do cuidado pediátrico para o adulto em pacientes com doenças reumáticas. São Paulo: SBR; 2019.
  3. Terreri MT, et al. Transição do cuidado pediátrico para o adulto: experiência do ambulatório de reumatologia pediátrica de um hospital terciário. Rev Bras Reumatol. 2017;57(5):438-44.