Resistência à insulina infantil: remédios só em casos graves
Entenda por que a mudança de hábitos deve vir primeiro e conheça as situações em que o médico pode prescrever medicamentos no cuidado infantil.

O que é resistência à insulina?
Pense na insulina como uma chave que abre a porta das células para a glicose entrar. Na resistência à insulina, essa chave “enferruja”: precisa de mais insulina para fazer o mesmo trabalho. O resultado é açúcar sobrando no sangue e mais chance de virar diabetes tipo 2.
Quando pensar em medicamentos?
- Tempo de mudança de estilo de vida: pelo menos 6 a 12 meses de alimentação equilibrada e atividade física, tudo bem registrado.
- IMC acima do percentil 95: na curva de crescimento, a criança segue muito acima do peso ideal.
- Exames alterados: HOMA-IR alto ou teste de tolerância à glicose ruim.
- Fatores extras: idade ≥ 10 anos, história familiar de diabetes tipo 2, puberdade avançada, gordura no fígado ou síndrome metabólica.
Se esses pontos aparecem juntos, o médico pode conversar sobre remédios.
Os principais remédios hoje
Metformina – a primeira escolha
É o “velho conhecido”, barato e com longa história de uso. Ajuda a baixar o açúcar no sangue e pode reduzir um pouquinho o peso.
- Dose inicial: 500 mg por dia, após a refeição.
- Ajuste: aumenta aos poucos até 2 000 mg, se o estômago aceitar.
- Resultados: em média, queda de 2,5 pontos no HOMA-IR em 6 meses.
Agonistas de GLP-1 – nova geração
Imitam um hormônio do intestino que reduz a fome e melhora a ação da insulina.
- Liraglutida diária: dose de 1,8 mg (diabetes) ou 3 mg (peso). Até 43% das crianças perdem ≥ 5% do IMC.
- Semaglutida semanal: 2,4 mg. Redução média de 16% do IMC em estudo recente.
São injeções sob a pele e ainda custam caro, mas podem ser opção quando a metformina falha.
Efeitos colaterais e monitoramento
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Remédio |
Efeitos comuns |
Cuidados |
|---|---|---|
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Metformina |
Náusea, cólica, diarreia |
Começar dose baixa; tomar após comer; dosar vitamina B12 todo ano |
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Agonistas de GLP-1 |
Náusea, vômito |
Titular lentamente; observar dor abdominal forte (rara pancreatite) |
Como ajudar seu filho a seguir o tratamento

- Linguagem simples: explique que o remédio é uma “força extra”.
- Família unida: todos podem melhorar a alimentação, não só a criança.
- Tecnologia amiga: lembretes no celular ou app de saúde.
- Acompanhamento multiprofissional: nutricionista, educador físico e psicólogo fazem diferença.
Futuro do tratamento
Estudos testam combinações de metformina + GLP-1 e até três medicamentos juntos. A ideia é começar cedo para evitar o diabetes tipo 2 lá na frente. Mas lembre: nenhum remédio substitui alimentação saudável e exercício.
Perguntas que recebemos com frequência
“O remédio vai curar o problema para sempre?”
Não. Ele ajuda a controlar. Mudança de hábitos precisa continuar.
“Meu filho vai ficar dependente?”
Não é vício. O médico pode tirar ou trocar o remédio se a evolução for boa.
“Remédio engorda depois que para?”
Se a alimentação e a atividade física não continuarem, o peso pode voltar, com ou sem remédio.
Conclusão

Quando dieta e exercício não bastam, os remédios podem ser aliados importantes para controlar a resistência à insulina em crianças. Metformina é o primeiro passo, e os agonistas de GLP-1 surgem como reforço em casos específicos. Com acompanhamento médico, apoio da família e bons hábitos, é possível proteger a saúde hoje e no futuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, juntos, podemos mostrar para toda criança que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Obesidade em Crianças e Adolescentes. Rio de Janeiro, 2022.
- International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes. Clinical Practice Consensus Guidelines 2022. Oxford, 2022.
- American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—2023: Children and Adolescents. Diabetes Care, Arlington, 2023.
- Malinowski, A. K.; Furth, S. L.; Engel, S. G. Metformin for obesity and insulin resistance in children and adolescents: systematic review and meta-analysis. Diabetes Care, v.33, n.2, p.322-328, 2020.
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