A tática digital: como o marketing disfarçado empurra ultraprocessados para crianças
Conheça como posts e desafios virais aumentam o consumo de ultraprocessados na infância e saibacomo escolher perfis mais éticos e alimentos mais naturais para os pequenos.

Você abre o Instagram e vê lancheiras perfeitas, coloridas e “práticas”. Mas será que aquele biscoito “integral” é tão amigo da saúde quanto parece? Aqui no Clube da Saúde Infantil mostramos, em linguagem simples, o que a ciência sabe sobre ultraprocessados nas redes e como isso impacta a alimentação das crianças.
O que são alimentos ultraprocessados?
São produtos que passam por diversas etapas na indústria e possuem ingredientes que normalmente não temos em casa, como corantes, aromatizantes e grandes quantidades de açúcar. Exemplos comuns incluem biscoitos recheados, bebidas lácteas aromatizadas e minibolos prontos.
Por que eles aparecem tanto no seu feed?
Pesquisas recentes mostram que grande parte dos conteúdos infantis patrocinados no Instagram destaca biscoitos, bebidas doces e snacks — e apenas uma pequena parcela fala sobre frutas ou alimentos in natura.
- Embalagens coloridas em destaque.
- Linguagem afetiva como “meu filho ama”.
- Promessas de praticidade para famílias ocupadas.
TikTok e YouTube
- Desafios envolvendo alimentos ultraprocessados.
- Milhões de visualizações sem aviso claro de propaganda.
- Hashtags de marcas dominando buscas voltadas ao público infantil.
Técnicas que convencem sem você notar
- História pessoal: “meu bebê só come depois desse biscoito”.
- Aparência de autoridade: jaleco validando produtos refinados.
- Cenário familiar: o item aparece na cozinha de casa, gerando confiança imediata.
Como isso muda o que vai para a lancheira
Estudos com famílias brasileiras mostram que seguir influenciadores patrocinados pode aumentar o consumo de ultraprocessados em casa. Em contrapartida, perfis que seguem o Guia Alimentar ajudam pais e mães a oferecerem mais frutas e legumes — mesmo sem mudar a rotina de forma radical.
Por que a publicidade velada é um problema?

Uma parcela grande dos vídeos mais vistos não informa que há patrocínio. Isso confunde o público e viola princípios de proteção à infância, que exigem clareza quando existe intenção comercial. Sem transparência, fica difícil diferenciar dica de venda.
Como escolher perfis mais saudáveis
- Busque hashtags como #lancheiraSaudável ou #GuiaAlimentar.
- Prefira influenciadores que mostram comida de verdade: frutas, legumes e receitas caseiras simples.
- Desconfie de embalagens coloridas demais ou frases como “sem glúten”, “rico em vitaminas” ou “integral” em produtos prontos.
- Veja se o post tem aviso de parceria. Transparência é sinal de respeito.
Reconheça mensagens enganosas
Um exemplo comum é acreditar que “suco de caixinha especial para criança é saudável”. Muitos contêm açúcar em quantidade semelhante à de refrigerantes. O rótulo ajuda: se o primeiro ingrediente não for água ou fruta, é melhor repensar.
Dicas rápidas para o dia a dia
- Ofereça frutas já lavadas e cortadas — tão práticas quanto abrir um pacote.
- Monte lancheiras com metade frutas e metade uma preparação caseira simples.
- Combine com a criança: experimentar um novo vegetal por semana pode virar um jogo divertido.
- Use receitas econômicas do Guia Alimentar para diversificar sem gastar muito.
Quando procurar ajuda profissional
Se a criança rejeita muitos alimentos ou existe preocupação com seletividade, vale conversar com um nutricionista ou pediatra. Eles ajudam a ampliar o cardápio sem depender de ultraprocessados.
Resumo em 3 pontos
- Perfis patrocinados exibem mais ultraprocessados do que comida de verdade.
- Essa exposição aumenta o consumo desses produtos na rotina da família.
- Pais informados conseguem reverter o jogo escolhendo perfis éticos e comida natural.
Conclusão

Quando entendemos como a propaganda funciona, fica mais fácil dizer “não” ao biscoito colorido e “sim” à fruta fresquinha. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que cada curtida pode ser um passo para hábitos melhores. Compartilhe este conteúdo, escolha com cuidado quem você segue e lembre: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- ACT Promoção da Saúde. Monitor de gastos das indústrias de bebidas e alimentos em publicidade digital. São Paulo, 2023.
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília, 2020.
- Datafolha. Percepções dos pais sobre recomendações de influenciadores digitais. São Paulo, 2023.
- Datareportal. Digital 2023: Brazil. Londres, 2023.
- Fiocruz; Anvisa. Influência digital e rotulagem de alimentos ultraprocessados: panorama nacional. Rio de Janeiro, 2022.
- HypeAuditor. State of Influencer Marketing in Brazil 2023. São Paulo, 2023.
- Monteiro, C. A. et al. A nova classificação de alimentos baseada no grau de processamento. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 8, 2019.
- Rocha, P.; Miranda, L. Efeito do marketing de influenciadores na dieta de crianças em idade pré-escolar. Revista Paulista de Pediatria, v. 39, e2021103, 2021.
- Santos, J.; Duarte, M. A influência de personagens em embalagens de alimentos na decisão de compra dos responsáveis. Revista Brasileira de Marketing, v. 20, n. 2, 2021.
- Schneider, S. et al. Pressão estética e culpa materna nas redes sociais: implicações para a alimentação infantil. Psicologia & Saúde, v. 14, n. 1, 2022.
- Vasconcelos, M. et al. Publicações patrocinadas sobre alimentação infantil no Instagram: análise de conteúdo. Revista de Nutrição, v. 35, e220035, 2022.