Muito sol, pouca vitamina: por que brasileiros ainda sofrem com deficiência de vitamina D

Saiba por que gestantes, bebês e crianças podem ter deficiência de vitamina D no Brasil e descubra formas simples de prevenção com sol, alimentos e suplementos.

A vitamina D é conhecida como a vitamina do sol. Ela fortalece ossos, dentes e o sistema imunológico. Mesmo vivendo em um país ensolarado, muitas gestantes e crianças no Brasil apresentam deficiência. Neste post, o Clube da Saúde Infantil explica por que isso acontece e como garantir doses seguras desse nutriente essencial.

Por que a vitamina D é tão importante?

Ela funciona como uma chave que abre a porta do cálcio para dentro dos ossos. Sem essa ajuda, o corpo fica mais frágil. Em bebês e crianças, a falta pode causar raquitismo; em gestantes, aumenta o risco de ossos fracos e complicações na gravidez.

Desafios brasileiros para manter bons níveis

Latitude e clima

O Brasil é extenso e a força do sol varia de acordo com a região. No Sul e em parte do Sudeste, entre maio e setembro, a radiação UVB cai e a pele produz menos vitamina D.

Cor da pele

Peles negras e pardas precisam de mais tempo de sol para sintetizar a mesma quantidade de vitamina D que peles mais claras.

Hábitos modernos

Brincadeiras em ambientes fechados, rotina de escritório e uso de protetor solar reduzem ainda mais a produção natural.

Fontes de vitamina D

Luz do sol

  • Expor braços e pernas sem protetor por 10 a 30 minutos, duas a três vezes por semana.
  • Evitar horários de maior risco (10h–16h). Se a exposição for maior, aplicar protetor após os primeiros minutos.

Alimentos

Peixes como sardinha e atum e ovos contêm vitamina D, mas em quantidades pequenas que não suprem a necessidade diária.

Suplementos

Disponíveis em gotas ou cápsulas, são a forma mais prática de atingir as recomendações quando o sol e a dieta não são suficientes.

Doses recomendadas no Brasil

  • Gestantes: 600 a 1.000 UI por dia.
  • Bebês até 12 meses: 400 UI por dia.
  • Crianças de 1 a 18 anos: 600 UI por dia.

O exame de sangue não faz parte da rotina do SUS e é reservado a casos de risco. Por isso, muitas vezes o médico prescreve uma dose padrão segura sem precisar de exame.

Programas e políticas públicas

O SUS distribui vitamina D apenas para grupos com doenças ósseas confirmadas. Ainda não há fortificação obrigatória em alimentos básicos, embora estudos mostrem que seria uma medida barata e eficaz. Alguns estados já implementaram programas locais para gestantes.

Mitos e verdades

Mito: viver no Brasil dispensa suplemento.
Verdade: a intensidade do sol varia, e metade dos bebês não recebe a dose indicada.

Mito: quanto mais sol, melhor.
Verdade: a exposição excessiva aumenta o risco de câncer de pele. Pequenas doses já ajudam.

Mito: suplemento faz mal aos rins.
Verdade: em doses corretas, é seguro.

Dicas simples para o dia a dia

  1. Marque a hora da suplementação junto com a primeira mamada ou café da manhã.
  2. Brinque ao ar livre antes das 10h ou após as 16h.
  3. Consulte sempre o pediatra sobre a dose ideal para seu filho.
  4. Inclua peixes como sardinha ou atum duas vezes por semana na alimentação.

Conclusão

Garantir vitamina D é equilibrar três fatores: sol na medida certa, alimentação saudável e suplemento quando necessário. Mesmo em um país ensolarado, gestantes e crianças precisam de atenção especial. Converse com o profissional de saúde e siga as orientações. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

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