O erro da matemática: por que contar vitaminas isoladas não garante a saúde do seu filho
Entenda como o foco excessivo em nutrientes isolados gera escolhas erradas na rotina alimentar das crianças e aprenda a identificar sinais de alerta nos rótulos.

Você já viu um rótulo destacar “rico em vitamina C” e pensou que era a escolha perfeita para o seu filho? Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos que comer bem vai muito além de contar vitaminas. Vamos explicar, de forma simples, por que focar em nutrientes isolados pode atrapalhar a saúde da família.
O que é o olhar para a vitamina isolada?
A ciência chama isso de reducionismo nutricional. É como analisar apenas uma peça de um quebra-cabeça: o desenho completo desaparece. A comida funciona como um conjunto integrado de nutrientes que atuam em equipe.
Por que essa ideia ganhou força?
A descoberta das vitaminas
No início do século XX, cientistas conseguiram isolar vitaminas. O avanço foi enorme, mas reforçou a falsa ideia de que cada nutriente sozinho resolveria qualquer problema.
O papel do marketing
Indústrias de alimentos e suplementos usam frases como “+ ferro” ou “contém ômega-3” para valorizar produtos ultraprocessados. Pesquisas mostram que muitas pessoas escolhem alimentos influenciadas por esse tipo de apelo.
Quando a história saiu do controle
- Episódios com suplementos de beta-caroteno mostraram aumento do risco de câncer de pulmão em fumantes.
- A onda das dietas “zero gordura” retirou gorduras boas e trouxe mais açúcar e farinha branca, o que contribuiu para o aumento da obesidade.
Esses exemplos mostram que focar em um nutriente isolado pode levar ao efeito contrário do esperado.
Comida de verdade: o jogo completo

Estudos reforçam que os benefícios dos alimentos integrais não se repetem quando isolamos seus nutrientes. Uma laranja, por exemplo, oferece vitamina C, fibras e antioxidantes que trabalham juntos. Isso é bem diferente de um comprimido com vitamina C isolada.
Dica prática para pais e mães
- Prefira alimentos in natura ou minimamente processados.
- Leia rótulos com cuidado. Desconfie de promessas exageradas.
- Use suplementos apenas com orientação de um profissional de saúde.
Perguntas que sempre aparecem
Meu filho precisa de suplemento?
Na maioria dos casos, não. Uma alimentação variada costuma suprir as necessidades diárias. Consulte o pediatra antes de oferecer qualquer cápsula.
Alimento fortificado é ruim?
Não necessariamente. Mas quando o alimento é ultraprocessado, o problema vai além da vitamina adicionada. O ideal é olhar o conjunto.
Que confusões queremos evitar
Equívoco 1: acreditar que mais vitamina significa mais saúde.
Correção: quem importa é o conjunto da alimentação, não um nutriente isolado.
Equívoco 2: imaginar que suplemento não faz mal.
Correção: doses altas podem ser perigosas, como ocorreu com o beta-caroteno.
Conclusão

Comer bem é observar o prato inteiro, e não apenas a etiqueta chamativa. Alimentos integrais oferecem um pacote completo de nutrientes que atuam juntos pelo corpo da criança. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos que crescer com saúde é sempre mais gostoso.
Referências
- Scrinis, G. Nutritionism: The Science and Politics of Dietary Advice. New York: Columbia University Press, 2013.
- Mozaffarian, D.; Ludwig, D. S. Dietary guidelines in the 21st century—A time for food. JAMA, v. 304, n. 6, p. 681-682, 2010.
- Grand View Research. Dietary Supplements Market Size Report, 2021-2028.
- Nestle, M. Food Politics: How the Food Industry Influences Nutrition and Health. Berkeley: University of California Press, 2013.
- Willett, W. C. Nutritional Epidemiology. New York: Oxford University Press, 2012.
- The Alpha-Tocopherol Beta Carotene Cancer Prevention Study Group. The effect of vitamin E and beta carotene on the incidence of lung cancer. New England Journal of Medicine, v. 330, p. 1029-1035, 1994.
- Jacobs, D. R.; Tapsell, L. C. Food, not nutrients, is the fundamental unit in nutrition. Nutrition Reviews, v. 65, n. 10, p. 439-450, 2007.